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Nuno Eiró, Mónica Jardim e João Montez no “Somos Portugal” da TVI

O presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde, Carlos Braga, anunciou que vai abrir um processo interno de averiguações após a utilização de uma ambulância, com as sirenes de emergência ligadas, para transportar uma equipa de apresentadores da TVI.

“É um facto que a ambulância circulou indevidamente com sirenes e rotativos ligados”, disse Carlos Braga à Lusa, assumindo que “porque não se tratava de nenhuma emergência” se vai averiguar para “saber porque é que isso aconteceu”, de modo a agir “em conformidade”.

A ambulância transportou os apresentadores do programa da TVI “Somos Portugal”, no passado domingo, quando a emissão decorreu a partir de Vila Verde, no distrito de Braga, no âmbito da Festa das Colheitas, promovida pela Câmara Municipal local.

O presidente da direcção e o comandante dos Bombeiros de Vila Verde (BVV), José Lomba, assumem num comunicado conjunto que a ambulância circulou “com marcha assinalada”, acrescentando que a organização da Festa das Colheitas contactou a corporação para fazer o transporte dos apresentadores da TVI, entre o palco principal e o recinto da feira, “devido ao intenso tráfego automóvel que se fez sentir nesse dia”.

“Até se diz que a ambulância andou em contramão e tudo, mas é para tirar tudo a limpo que vamos abrir um processo de averiguações”, salienta Carlos Braga na Lusa.

Em declarações ao Correio da Manhã, o presidente da direcção dos bombeiros sustenta que “nem ele nem qualquer outro dirigente ordenaram que fosse accionada” a marcha de emergência.

Carlos Braga também refere no CM que “se se provar que a iniciativa de ligar as sirenes” foi do bombeiro que estava de serviço na ambulância, pode ser alvo de uma repreensão por escrito ou mesmo ser expulso da corporação.

Alegações de que a ordem foi do vice-presidente da direcção

O Semanário V, de Vila Verde, avança que os bombeiros foram “obrigados” pelo vice-presidente da direcção, Paulo Renato Rocha, que também é chefe de gabinete do presidente da Câmara local, a fazer o “transporte urgente” da equipa da TVI.

De acordo com a publicação regional, a ambulância viajou “em sentido contrário e em marcha de urgência“, obrigando “os carros a desviarem-se e a subir passeios julgando tratar-se de um doente”.

O caso está a causar revolta e um grupo de sócios da Associação Humanitária dos BVV já manifestou a intenção de apresentar queixa na Autoridade Nacional de Protecção Civil, no Ministério Público e no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, conforme apurou o Semanário V.

Estes sócios entendem que “tal atitude viola a cadeia de comando, mas acima de tudo viola a lei em vigor”, apelando assim à demissão de Paulo Renato Rocha que acusam de ter “coagido bombeiros” e de “contratar colaboradores para a instituição de forma irregular”, segundo cita o jornal de Vila Verde.

Bombeiros recusaram três emergências

O presidente e o comandante dos BVV revelam entretanto, que a ambulância em causa é usada “exclusivamente” para o transporte de doentes não urgentes, de segunda-feira a sábado, e que fica “imobilizada” aos domingos.

Nunca é utilizada para socorro de emergência médica, porque não está equipada para tal”, salienta-se na nota enviada às redacções.

Fica ainda confirmado que, durante a emissão do “Somos Portugal”, a corporação recusou três serviços de emergência, mas devido ao facto de haver operacionais a combaterem cinco fogos florestais, alega-se no comunicado da direcção e do comandante dos bombeiros.

ZAP / Lusa