José Sena Goulão / Flickr
Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates
No primeiro interrogatório a José Sócrates, em novembro de 2014, o ex-primeiro-ministro reconheceu que pedia dinheiro emprestado ao amigo, mas já não sabia quanto devia e “não devolveu nada”.
O Correio da Manhã divulgou esta terça-feira gravações de diversos interrogatórios e escutas de Carlos Alexandre a José Sócrates, que perante o juiz Carlos Alexandre e o procurador da República Rosário Teixeira foram confrontados, em interrogatórios separados, sobre os indícios criminais apurados pela investigação.
[toggles][toggle title=”Excerto do interrogatório a José Sócrates”][/toggle][/toggles]José Sócrates – “Eu vivo do meu trabalho e sempre vivi, nunca tive meios de fortuna, vivi sempre com a ajuda da minha mãe de onde em onde. E a primeira consequência que eu queria tirar daqui é que lamento que algumas dificuldades financeiras que tenho possam ser aproveitadas contra mim e contra a minha honestidade.”
“Quero contestar que o Carlos Santos Silva me tenha entregue – ele ou através de outras pessoas – as quantias que aqui estão, porque são exageradíssimas. Mas devo dizer que é verdade que o Carlos santos Silva de onde em onde me emprestava dinheiro. Porque eu tenho pouco e sei que ele é um homem de posses, de vez em quando pedia-lhe dinheiro. Genericamente é o que tenho a dizer.”
Juiz Carlos Alexandre – “Dinheiro esse que devolveu?”
J. S. – “Não, ainda não devolvi nada. Não devolvi nada, não: algumas coisas fui devolvendo ao longo da vida. Mas eu sei que tenho para com ele uma dívida que procurarei pagar.
No final de 2012, 2013, eu tive dificuldades financeiras. Já pensei… aliás, penso, em penhorar de novo a minha casa. É uma coisa que ando a pensar. Mas é verdade que ao longo dos últimos anos tenho passado dificuldades financeiras que, pela leitura que faço daqui, os senhores bem conhecem.”
O juiz Carlos Alexandre quis então saber qual era o montante que o ex-primeiro-ministro devia a Carlos Santos Silva:
José Sócrates – “Pois, isso é muito difícil de dizer… Eu tenho uma ideia, mas nada que se pareça com estes valores”.
Juiz Carlos Alexandre – “Mas que ideia tem? Grosso modo…?”
José Sócrates – “Grosso modo…? Sabe dr. juiz, eu quero responder a tudo, mas eu fui confrontado com isto ontem e eu tenho que fazer eu próprio…”
Juiz Carlos Alexandre – “Mas tem uma ideia dessas importâncias?”
José Sócrates – “Tenho uma ideia. Mas eu gostaria de, eu próprio, verificar com os meus papéis e faturações e tal, para confirmar. Porque está aqui muita coisa que não é verdadeiro… mas assim não sei”.
Desde o primeiro contacto com o juiz de instrução criminal, no interrogatório de 23 de novembro, Sócrates admitiu a dívida ao amigo, mas não a soube quantificar e garantiu desconhecer a origem da fortuna de Santos Silva.
“É assim. Ele é meu amigo e é um homem de posses. E eu sou um pobre provinciano que andou na política durante uns anos”, declarou o ex-primeiro-ministro. “Eu tenho pouco e sei que ele é um homem de posses e de vez em quando pedia-lhe dinheiro. Genericamente, é o que tenho a dizer”, concluiu.
“Dinheiro esse que devolveu?”, perguntou Carlos Alexandre. “Não, não. É que ainda não devolvi nada”, respondeu Sócrates.
“Não devolveu nada?”, insistiu o juiz, ao que Sócrates respondeu: “Algumas coisas fui devolvendo ao longo da vida, mas sei que tenho para com ele uma dívida, que procurarei pagar”.
“Mas se pudesse quantificar esses empréstimos, computaria isso mais ou menos em que termos?”, perguntou o juiz. “Pois, isso é muito difícil de dizer, mas eu tenho uma ideia… quer dizer”, hesitou Sócrates, sem conseguir explicar.
“Que ideia é que tenho. Grosso modo, sabe, ó senhor doutor, eu quero responder a tudo, não quero que fique nenhuma pergunta por responder. Eu posso dizer-lhe o seguinte: só fui confrontado com isso ontem. Preciso de tempo para ver
“, defendeu-se.Sócrates ultrapassou o plafond de 500 mil em 2014
Carlos Santos Silva quantifica em 510 mil euros os empréstimos que fez ao amigo José Sócrates, embora diga que tinha deitado fora os papéis que o demonstravam.
“Eu já tinha manifestado ao sr. engenheiro essa minha disponibilidade, de que até ao final de 2014 o podia ajudar com um montante dessa ordem de grandeza”, afirmou ao juiz Carlos Alexandre.
“500 mil. Até ao final de 2014. Já ultrapassou… já tenho registados 510 nos meus apontamentos”, afirmou, acrescentando em seguida que tinha destruído esses papéis.
[toggles][toggle title=”Excerto do interrogatório a Carlos Santos Silva”][/toggle][/toggles]Carlos Santos Silva – “Eu já tinha manifestado ao sr. engenheiro essa minha disponibilidade, de que até ao final de 2014 o podia ajudar com um montante dessa ordem de grandeza…”
Juiz Carlos Alexandre – “Desculpe, não estou a perceber. Disse 20 mil..?”
Carlos Santos Silva – “500 mil. Até ao final de 2014. Já ultrapassou…, já tenho registados 510 nos meus apontamentos…
Juiz Carlos Alexandre – “É pena o senhor nesses apontamentos…”
Carlos Santos Silva – “Mas eu destruí-os…”
Juiz Carlos Alexandre – “Pois, está bem…”
Procurador Rosário Teixeira – “E não destruiu este ano, quando vieram aí umas notícias sobre ele…?”
Carlos Santos Silva – “Não, tomo notas e no fim do ano…”
As gravações reveladas pelo Correio da Manhã, com longos excertos transmitidos também na CMTV, mostram as ligações de Sócrates ao amigo Santos Silva, que o Ministério Público acredita ser o testa de ferro de um esquema que permitiu a Sócrates apropriar-se de 23 milhões de euros.
As conversas revelam ainda a forma como o ex-primeiro-ministro distribuía verbas avultadas por familiares e amigos.
caption=ZAP
Depois de mais de dois anos , de investigações, perseguições, acusações , murmurações, caluniações, etc, etc ,é isto que temos para julgar e poder condenar alguém, (seja ele lá quem for)?
De facto os "panhonhas" deste país, contentam-se com muito pouco quando precisam de um bode expiatório para descarregar as suas frustrações.
Vão mas é para casa e batam na mulher!