A inspetora da Polícia Judiciária Ana Saltão, acusada de matar a avó do marido a tiro, em 2012, foi condenada a 17 anos de prisão pelo Tribunal de Relação de Coimbra, depois de ter sido absolvida por um tribunal de júri.

A advogada da inspetora, Mónica Quintela, confirmou a pena e disse à agência Lusa que vai recorrer da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça.

A inspetora da PJ tinha sido absolvida a 8 de setembro de 2014 pelo Tribunal de Coimbra. Na ocasião, o Ministério Público indicou que ia recorrer da decisão.

Apesar de só conhecer a decisão da Relação e ainda não ter tido acesso ao acórdão, Mónica Quintela assegura que vai recorrer, considerando que a decisão do Tribunal da Relação de Coimbra a deixou “absolutamente surpreendida“.

“Conheço bem o processo e nada pode permitir uma condenação”, sublinhou a advogada de Ana Saltão, considerando que, caso o Tribunal da Relação tivesse decidido “pedir para repetir parte do julgamento, seria uma decisão surpreendente mas poderia admitir”. Contudo, esta decisão deixou Mónica Quintela “estupefacta”.

O tribunal de júri constituído para julgar Ana Saltão decidiu absolver em setembro de 2014 a inspetora da Polícia Judiciária como a autora dos disparos que mataram Filomena Gonçalves

, de 80 anos, que foi atingida com 14 tiros numa residência da rua António José de Almeida, em Coimbra, na tarde de 21 de novembro de 2012.

O presidente do coletivo, na altura da leitura do acórdão, afirmou que “é mínima a probabilidade de a arguida ter cometido os crimes nos termos da acusação”, tendo a inspetora sido absolvida dos dois crimes de que era acusada: homicídio qualificado da idosa Filomena Gonçalves (avó do marido, também ele inspetor daquela polícia) e peculato (alegado uso de arma da PJ para cometer o crime).

“Há aqui coisas que ainda hoje não estão esclarecidas” e para as quais “ainda hoje não temos resposta”, disse o juiz, dirigindo-se já diretamente para a arguida, sugerindo que a equipa da PJ de Coimbra que conduziu a investigação cometeu alguns erros na obtenção da prova.

/Lusa