Mário Cruz / EPA/Lusa

Rui Pinto no arranque do julgamento do chamado caso “Football Leaks” que envolve o Fundo de Investimentos Doyen.

O inspetor da Polícia Judiciária (PJ) Rogério Bravo enviou um email ao advogado que prestava assessoria ao ex-administrador da Doyen, Nélio Lucas, pedindo que este fizesse um requerimento à Procuradora-Geral da República relativamente ao processo Football Leaks.

A juíza presidente do coletivo que está a julgar o caso admite que “isto não é normal”.

De acordo com o Observador, o inspetor enviou até uma espécie de rascunho com uma proposta de requerimento. O advogado em causa, Pedro Henriques, diz não ter uma explicação para o email.

No email, Rogério Bravo pedia a Pedro Henriques que informasse o “amigo N” acerca da sugestão de requerimento, mas “limpando” a sua origem “para prevenir incidentes”.

Em tribunal, o advogado diz que não era amigo de Rogério Bravo, nem o conhecia antes do processo. Além disso, disse também que não sabia quem era o “amigo N” referido pelo inspetor da PJ. A juíza sugeriu que fosse Nélio Lucas, o antigo administrador da Doyen, ao qual Rui Pinto terá tentado extorquir dinheiro em troca de não divulgar os documentos da Doyen.

Apesar do que disse Pedro Henriques em tribunal, o advogado respondeu ao email de Rogério Bravo. “Obrigado. Assim farei. Abraço”, lê-se no email de resposta.

“No âmbito do crime, os requerimentos não são sugeridos pelo inspetor”, disse a juíza Ana Margarida Alves, sugerindo que “isto não é normal”.

Rui Pinto, criador do Football Leaks, está a ser julgado por 90 alegados crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

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