José Sena Goulão / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

O ministro das Finanças, Mário Centeno, repudiou esta quinta-feira as acusações do CDS-PP relativas à omissão de informações sobre a CGD e acusou o partido de truncar factos para produzir uma “vil tentativa de assassinato” do seu caráter.

Numa declaração escrita, o gabinete de Mário Centeno afirma ter enviado informação ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos (CGD), que “o CDS-PP escolheu omitir na conferência de imprensa que deu esta quinta-feira sobre esta matéria.

Segundo o gabinete do ministro, ao fazê-lo o CDS “truncou pois, os factos para produzir uma vil tentativa de assassinato do caráter do ministro das Finanças”.

O ministro “repudia com veemência a insultuosa e torpe estratégia do PSD e CDS-PP de tentarem enlamear a sua honorabilidade e o trabalho que tem sido desenvolvido para solucionar os problemas do sistema financeiro, herdados da governação dos referidos partidos”, lê-se na declaração.

Segundo o Jornal Económico, o CDS-PP pode avançar com uma queixa-crime contra o ministro das Finanças junto do Ministério Público. “O senhor ministro tem a oportunidade de se retratar. Se não o fizer, nada está excluído, o que não afasta uma participação-crime”, disse o deputado Nuno Magalhães.

O CDS-PP alertou ontem o ministro das Finanças para as “consequências penais” de mentir a uma comissão de inquérito, na sequência da polémica com o antigo presidente da CGD António Domingues.

O porta-voz dos democratas-cristãos e coordenador do partido na comissão de inquérito, João Almeida, lembrou um pedido efetuado em novembro para aceder a correspondência e comunicação trocada entre António Domingues e a tutela, ao qual o Ministério das Finanças respondeu, em janeiro, que “inexistem trocas de comunicações com as características descritas”.

O deputado admitiu perguntar ao ministro das Finanças “se quer voltar atrás na resposta que deu” e prometeu não deixar de “voltar a chamar António Domingues para dizer se existem ou não documentos que até ao momento o ministério e o Governo têm dito que não existem”.

João Almeida lembrou a possibilidade de Centeno “cair na moldura penal de perjúrio“, uma vez que os inquéritos parlamentares têm “poderes idênticos aos dos processos judiciais”.

Demissão está “fora de questão”

Esta sexta-feira, António Costa reafirmou a sua confiança no ministro das Finanças e afirmou que a sua eventual demissão, já pedida pela oposição, “está fora de questão”.

“Por isso, confiança no ministro das Finanças, admiração de todo o país pelo trabalho que tem vindo a ser feito, não vou perder tempo a dedicar-me àquilo que são tricas, e sobretudo vamos fazer aquilo que temos que fazer que é termos uma CGD forte e bem administrada”, afirmou o primeiro-ministro, que falava depois de uma visita a uma fábrica de produção de componentes de automóveis, em Vila Real.

Nós não podemos perder tempo com tricas, temos de nos concentrar no essencial e o que é essencial é termos uma CGD forte, continuar a reduzir o défice, aumentar as exportações e o emprego”, frisou o Governante.

António Costa acrescentou que “quando ouvem essas tricas sobre o ministro das Finanças” o que as pessoas verdadeiramente “veem no ministro das Finanças é um referencial de confiança”.

“Ele conseguiu o menor défice de sempre da nossa democracia, honrou o nosso compromisso de virar a página da austeridade e está a criar condições para que as empresas possam investir”, acentuou.

António Costa elencou ainda o “excelente trabalho” de Centeno “relativamente a um desafio que tinha sido adiado pelo anterior Governo e que tem a ver com a estabilização do sistema financeiro”.

“Uma após outra, serenamente, cada uma das instituições financeiras tem vindo a encontrar a boa solução. Ainda esta semana foi concluída com sucesso a OPA do BPI, a semana passada tinha sido concluída a operação de capitalização do Millennium, a CGD tem hoje autorização da União Europeia para podermos capitalizar de forma a ser um banco 100% público e um referencial de estabilidade”, afirmou.

E frisou ainda que a CGD tem “hoje uma administração que cumpre a lei, as regras da transparência e que está concentrada na execução do plano de negócios da CGD”.

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