O INEM garante que a notícia de que os médicos e enfermeiros que transportaram os jovens da Cova da Moura, vítimas de agressões da PSP de Alfragide, registaram os ferimentos como “quedas acidentais” é um “equívoco” e mostra documentos que comprometem a polícia.

O Diário de Notícias reportou neste domingo que os elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que socorreram os jovens agredidos, em 2015, registaram “queda acidental” como a causa dos ferimentos, tendo por base os formulários de entrada na urgência.

Mas o INEM assegura que aquela versão se trata de um “equívoco”, cita a RTP, que teve acesso às fichas de assistência médica a cinco dos jovens agredidos por elementos da PSP de Alfragide.

De acordo com o canal público, a referência a queda só consta da ficha dos bombeiros da Amadora, enquanto as fichas do INEM incluem todas notas de “agressão”.

Um dos socorristas da Amadora que acudiu aos jovens apontou que a “queda acidental” lhe teria sido referida pela própria vítima, um jovem de 23 anos que recusaria ser avaliado e que estaria acompanhado, tal como os demais, por escolta policial

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Nas fichas do INEM, de acordo com a mesma fonte, está apontado que uma das vítimas sofreu agressões com “socos e pontapés” e que estava “algemada”, enquanto noutro caso surge a nota “baleado com bala de borracha”.

Bloco pede investigação ao INEM

Entretanto, o Bloco de Esquerda solicitou ao Ministério da Saúde que avance com uma investigação para saber se o INEM omitiu ou falseou informações neste caso de violência policial que ocorreu em 2015 e que, só agora, levou o Ministério Público a avançar com a acusação por crimes de tortura e de racismo contra 18 polícias.

Para os bloquistas, deve-se “investigar a intervenção do INEM neste caso concreto” porque não se pode “deixar de questionar a veracidade e a fiabilidade destes registos”.

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