Dhruvang & Priyanka

Na Índia, algumas casas estão a voltar a ser construídas com barro. O objetivo é o combate às alterações climáticas, já que a indústria do cimento é altamente poluente.

O cimento, amplamente utilizado na construção civil, é uma das principais causas do aquecimento global. Em nome do ambiente, a Índia está a voltar às origens, deixando de usá-lo nas suas casas e passando a usar barro. As alterações climáticas são um problema que preocupa os mais de 1,3 mil milhões de indianos num país muito afetado pela poluição atmosférica.

Ainda na última sexta-feira, o Governo de Nova Deli, capital da Índia, declarou o estado de “emergência de saúde pública” por causa dos altos níveis de poluição atmosférica.

O chefe do Executivo da cidade, Arvind Kejriwal, afirmou que a poluição se agrava todos os anos, durante o mês de novembro, por causa das queimadas realizadas nos estados de Punjab e de Haryana e também pelo fogo-de-artifício lançado na festa hindu do Diwali.

Vineet Agarwal Sharda, um dos líderes do Partido Popular Indiano (BJP), colocou esta terça-feira a hipótese de que o Paquistão e a China podem ser os culpados pelos altos níveis de poluição na capital indiana.

“Devemos considerar seriamente se o Paquistão lançou algum tipo de gás tóxico” para contaminar o ar de Nova Deli, disse Vineet Agarwal Sharda, citado pelo India Today, dando conta que os países vizinhos – Paquistão e China – “estavam com medo da Índia“, o que pode justificar a alegada libertação de agentes tóxicos.

Casas construídas à mão, com recurso a barro, era algo bastante comum na Índia durante séculos. Agora, esse costume está a voltar e tudo por uma causa maior: a proteção do ambiente.

De acordo com o OZY, se a indústria do cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de dióxido de carbono do mundo, tendo libertado 2,8 mil milhões de toneladas de CO2 em 2016.

Para além destas casas serem amigas do ambiente, têm também um custo não superior às habitações construídas com cimento. Surpreendentemente, ou não, maior parte dos interessados são jovens adultos vindos da cidade, que procuram uma casa para fugir do stress das cidades durante o fim-de-semana.

A arquiteta Krithika Venkatesh, uma das impulsionadoras deste movimento, diz que a sua visita a uma fábrica de cimento foi decisiva para tomar uma decisão. “Vi cerca de 20 a 22 litros de água desperdiçados na produção de um saco de cimento enquanto as pessoas na minha terra estavam a lutar contra a seca”, explicou.

Num país assolado pelas secas, o simples ato de não usar cimento na construção das casas pode ser uma mais-valia para a sociedade. Contudo, os arquitetos que lutam por esta causa, compreendem que não será fácil mudar os hábitos da construção civil do país.

“Ainda precisamos de mais consciencialização. As pessoas têm uma ideia errada de que as casas de barro são impróprias e têm uma baixa resistência”, explica o arquiteto Dhruvang Hingmire.

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