Uma das causas da origem do problema de poluição no rio Tejo estará relacionada com um incidente registado na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Abrantes
A água do Rio Tejo apresenta coloração castanha escura e espuma junto ao açude de Abrantes
Um manto de espuma cobre a água do Rio Tejo, junto ao açude de Abrantes.
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O ambientalista Arlindo Marques afirma que o foco da poluição terá origem em empresas de Vila Velha de Rodão.

A origem do problema poderá estar relacionada com uma descarga inadvertida de lamas da ETAR de Abrantes . O vereador do Ambiente da autarquia, diz que este é “mais um episódio degradante de poluição no Tejo, com problemas evidentes ao nível da qualidade e quantidade”.

Uma das causas da origem do problema de poluição no rio Tejo estará relacionada com um incidente registado na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Abrantes.

Segundo apurou a TSF esta quinta-feira, terá ocorrido uma descarga inadvertida de lamas da ETAR de Abrantes diretamente para as águas do rio Tejo.

Na quarta-feira, contactado pela agência Lusa, Manuel Jorge Valamatos, vereador do Ambiente da autarquia, disse afirmou não ter “informações da origem”, referindo que a Agência Portuguesa do Ambiente esteve no local “a recolher amostras da água”, aguardando a autarquia por mais informações das entidades competentes.

Esta quinta-feira, pescadores, ambientalistas e autarcas afirmaram, em Abrantes, estarem “preocupados” e “indignados” com o manto de espuma que cobre as águas do Tejo, tendo o vereador do Ambiente da autarquia criticado o “atentado ambiental“.

Manuel Jorge Valamatos disse que a “poluição visual” permite “constatar mais um episódio degradante de poluição no Tejo”, com “problemas evidentes ao nível da qualidade e quantidade”. Segundo o autarca, a situação “é um atentado ambiental que a todos preocupa e indigna”, tendo salientado que “importa tomar medidas urgentes“.

Na quarta-feira, um manto de espuma branca com cerca de meio metro cobriu o rio Tejo na zona de Abrantes, num cenário que o ambientalista Arlindo Marques , do Movimento pelo Tejo – proTEJO -, classificou como “dantesco” e que esta quinta-feira ainda permanecia à vista de todos.

Revoltados com a poluição no rio Tejo e com os prejuízos financeiros estam também os pescadores, tendo Maria dos Anjos Paiva, de 61 anos, afirmado à Lusa que pesca em Abrantes desde pequena e que não encontra “nada para pescar, nem muge, nem tainha, nem lampreias”.

“Desde há dois anos para cá, isto é uma miséria autêntica. Isto é a morte dos pescadores todos por este rio abaixo, é a morte do Tejo, e ninguém nos ajuda”, criticou.

Bloco de Esquerda pede intervenção de António Costa

Esta quinta-feira, o Bloco de Esquerda pediu a intervenção direta do primeiro-ministro, António Costa, para resolver o problema da poluição no Rio Tejo.

“Ele saberá o que tem a fazer, mas tem que fazer alguma coisa porque o Tejo não pode continuar a degradar-se”, afirmou o deputado bloquista Carlos Matias, em resposta aos jornalistas, tendo recordado as iniciativas do BE sobre o caso de poluição no Tejo, como as perguntas ao Governo, requerimentos, perguntas ao ministro do Ambiente sobre a matéria.

Depois das “inúmeras promessas” que “não têm qualquer tradução na realidade, como se comprova pelo episódio de ontem e de hoje, o primeiro-ministro não pode ficar calado, não pode permitir que esta situação continue”, concluiu.

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