Incêndio em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Pelo menos 30 pessoas morreram no interior dos carros no IC8 durante o incêndio em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Militar da GNR junto a corpo não identificado
Corpo não identificado vítima do incêndio em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conforta o presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves. à esquerda, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomesmore

Um especialista em incêndios florestais considerou hoje que terá sido a “rápida propagação” do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande que conduziu às várias mortes, fazendo deste um dos mais graves incêndios do mundo dos últimos anos.

O especialista em incêndios florestais e professor universitário Xavier Viegas afirmou este domingo que a falta de limpeza das florestas e da envolvente das casas, bem como as características do terreno, terão contribuído para a extensão deste incêndio com vários focos, apesar de se suspeitar que a causa foi uma trovoada seca.

“Tudo leva a crer que a propagação do fogo foi muito rápida, a indicação é que terá havido vários focos de incêndio, não necessariamente por causa humana, e que terá sido causado por uma trovoada seca e, quando isso acontece, pode haver vários focos ao mesmo tempo em diferentes lugares e aí torna-se extremamente difícil controlar todas as situações”, explicou à Lusa.

Esta situação aliada à vegetação e ao “estado de secura muito grande” em que se encontra, e a um terreno “muito complicado”, como é o circundante do IC8, com ravinas e desfiladeiros muito acentuados, “dá origem a comportamentos do fogo que facilmente surpreendem as pessoas”.

Ainda a avaliar a dimensão da tragédia humana, Xavier Viegas adianta já que este é o incêndio “mais importante de que tem conhecimento”.

“E, claramente, pela repercussão que está a ter, mesmo a nível internacional, penso que é um dos maiores incêndios, dos mais graves, dos últimos anos na Europa, se não no mundo”, até mesmo pelo “número de vítimas, pela rapidez com que se desenvolveu e como estas vítimas foram causadas”.

Para o especialista, este acontecimento deveria chamar a atenção para “muita coisa que é preciso fazer no nosso país para melhorar a segurança das pessoas e evitar que este tipo de acidentes ocorra”.

Quanto às razões para que tantas pessoas tenham sido apanhadas dentro dos carros no IC8, o investigador reconheceu não saber explicar, até porque ainda não tem os dados todos, mas sublinha que a principal razão é que “tudo se passou muito depressa”.

“A experiência que tenho destes terrenos é que o fogo se propaga com muita rapidez: de um momento para o outro. As pessoas podem pensar que estão em segurança, que há condições para passar e podem ser surpreendidas na curva”.

Outro aspecto importante é que nem sempre é fácil estar a cortar o acesso nas estradas a toda a gente, porque “há pessoas que residem por aqui, há casas por todo o lado e, infelizmente, pode sempre haver gente que de um momento para o outro pega no seu carro e se faz a estrada. Pode haver pessoas que se metem nos carros e sem as autoridades terem conhecimento”, afirmou.

Xavier Viegas antevê um ano complicado, sobretudo se as condições meteorológicas persistirem, mas sublinhou que as pessoas podem fazer alguma diferença.

“Diria que, infelizmente, estamos no começo do período dos incêndios e não estamos a começar nada bem. Se as condições meteorológicas não mudarem é de esperar que tenhamos este tipo de situações. Agora o que pode e deve mudar é o comportamento das pessoas”.

[sc name=”assina” by=”” url=”” source=”Lusa”]