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A chanceler alemã, Angela Merkel

A chanceler alemã poderá estar prestes a ser vítima de um golpe entre vários membros do seu partido que também querem chegar ao poder, escreve a imprensa alemã.

Angela Merkel está alegadamente a perder o controlo não só da situação política na Alemanha mas também dentro do seu próprio partido.

Quem o garante é Henryk Broder, jornalista do Die Welt que, esta terça-feira, escreveu um artigo de opinião no jornal alemão a antecipar um eventual golpe.

Segundo o jornalista, citado pela Sputnik News, “a queda de Merkel, prevista alguns meses atrás, está pouco a pouco a sair do seu período latente”.

Na perspetiva de Broder, está a ser preparado um golpe dentro do União Democrática Cristã (CDU), o partido da chanceler alemã.

Com o termo “golpe”, o jornalista afirma que não se pressupõe uma revolta violenta mas sim um plano de “vários homens e mulheres” para tomarem o poder devido à “política auto-destrutiva” de Merkel.

“Deixem Merkel continuar a fazer o que tem feito nos últimos tempos, até que isso se torne insustentável. Até que os seus níveis de aprovação caiam por completo. Não vai ser preciso derrubá-la. Vai cair sozinha. É tudo uma questão de tempo“, escreve Broder para ilustrar a sua teoria.

A atuação da chanceler nos últimos tempos tem perdido o apoio de muitos alemães, sobretudo por questões relacionadas com a entrada de refugiados no país.

Esta semana, uma sondagem publicada pelo jornal Bild am Sonntag divulgou que metade dos alemães prefere que Merkel não se apresente à reeleição nas eleições legislativas de 2017.

A sondagem do jornal alemão revela que a chanceler consegue um apoio global na ordem dos 42%, contra os 50% dos inquiridos que se manifestam contra um novo mandato.

Os resultados foram divulgados um dia depois do Der Spiegel ter avançado que Merkel tinha ponderado anunciar a sua candidatura para um quarto mandato à frente do governo alemão ainda este ano, mas que tinha recuado.

De acordo com o semanário alemão, a chanceler terá adiado a decisão por causa da crise dos refugiados e por problemas internos no seio da coligação governamental.

Merkel terá atrasado o anúncio porque o líder da CSU, Horst Seehofer, com quem está coligada, ainda não decidiu se a sua força partidária vai apoiar a líder conservadora nas próximas eleições

Caso se venha a confirmar, esta poderá ser uma decisão inédita que poderá representar uma rutura histórica entre as duas formações.

ZAP / Lusa / Sputnik News