Miguel A. Lopes / Lusa

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues

As orientações da Direcção Geral de Saúde (DGS) para as escolas com vista ao regresso das aulas presenciais, em Setembro, estão a preocupar os directores dos estabelecimentos de ensino. Isto porque as consideram impossíveis de cumprir, temendo que não haja forma de evitar os contágios por covid-19.

O ano lectivo 2020/2021 deve arrancar a 14 de Setembro e a ideia é que ocorra de forma presencial, se não em todas as escolas, em grande parte delas. Este é um dos cenários que o Ministério da Educação (ME) está a estudar, impondo o uso obrigatório de máscara a partir do 5º ano de escolaridade.

Além disso, as orientações da DGS estabelecem ainda “um distanciamento físico entre os alunos de, pelo menos, um metro, sem comprometer o normal funcionamento das actividades lectivas”.

Ora esta medida é impraticável na grande maioria das escolas, sem que se tomem outras medidas adicionais, nomeadamente o desdobramento ou redução de turmas.

“As escolas não conseguem manter distância mínima de 1 metro mas, como dizem ‘sempre que possível’, dá para tudo. Até posso pôr dois alunos na mesma carteira e estou a cumprir… porque não foi possível”, afiança o dirigente da Associação Nacional de Directores de Escolas, Filinto Lima, em declarações ao Correio da Manhã (CM).

“Noutros contextos a distância é de 1,5 ou 2 metros. Espero que não brinquem com a saúde dos alunos”, acrescenta Filinto Lima.

“Para ter os alunos sentados a essa distância, teríamos de ter turmas mais pequenas. E isso o Ministério não permite”, realça no Expresso o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira.

“As escolas estão cheias e as salas não esticam. Em muitos agrupamentos isso não vai ser possível”, afirma ainda Filinto Lima no Expresso.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, já tinha assumido que “é impossível multiplicar por dois a capacidade das escolas ou o corpo docente”, numa entrevista ao Expresso a 4 de Julho passado, apelando, assim, à importância de “maximizar a distância com o edificado que temos”.

A necessidade de reforço de limpeza dos espaços e superfícies também preocupa os directores dada a falta de funcionários com que muitas escolas já se debatiam. O ME prometeu a contratação de mais 600 assistentes operacionais.

A distribuição dos alunos nas cantinas durante o almoço e as condições dos ginásios são outras áreas que geram preocupação.

“Quase todos os especialistas são unânimes quanto à possibilidade de haver uma subida dos casos no Outono“, alerta no Expresso o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão, considerando que “por muitas regras que existam o risco cresce”.

A FENPROF já solicitou uma reunião à DGS, nomeadamente para esclarecimento da “não obrigatoriedade de distanciamento físico”.

Nos últimos dias, têm surgido vários surtos de contágios em infantários e ATLs em diferentes pontos do país, nomeadamente em Vizela, onde casos positivos numa funcionária e em várias crianças levaram ao encerramento de um estabelecimento.

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