Nahuel Berger / World Bank
Os imigrantes que estavam a trabalhar no turismo, setor parado devido à pandemia de covid-19, poderão ser encaminhados para a agricultura, no qual há falta de mão-de-obra.
Numa entrevista ao jornal Público, a secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, disse que um dos planos do Governo é encaminhar os imigrantes que estavam a trabalhar no turismo para a agricultura.
“É uma das preocupações do Governo, algo que estamos a analisar. Uma parte destes trabalhadores será direcionada para a agricultura, que está a precisar de trabalhadores”, disse a governante ao jornal.
Questionada sobre como é que isto será feito, a secretária de Estado diz que será “através do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e das necessidades de mão-de-obra publicitadas”.
“Mesmo assim poderá haver trabalhadores que ficarão sem emprego, tendo em conta que o turismo, principalmente do Algarve, empregava muitos trabalhadores estrangeiros e portugueses, e isso é algo a que o Governo está atento e a analisar”, declarou.
Na mesma entrevista, Cláudia Pereira falou sobre os requerentes de asilo que vivem em albergues sobrelotados
, como é o caso do que se encontra na Rua Morais Soares, em Lisboa, onde 136 estavam infetados com o novo coronavírus.“Estamos com a ASAE, e com as autoridades de saúde, a verificar, caso a caso, as eventuais sobrelotações. Um dos motivos pela qual foi criada esta secretaria de Estado foi para se agilizar e coordenar melhor o acolhimento a refugiados e requerentes de asilo (…). Estamos a tentar rever este modelo de acolhimento e a descentralizar para fora de Lisboa, e a envolver outras entidades do terceiro setor que têm alojamento disponível”.
Questionada ainda sobre a morte de um cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa, a secretária de Estado garante que todos foram “surpreendidos pela notícia, mas o MAI começou logo uma reformulação interior destes centros de acolhimento temporário e isso está em curso”. “É da responsabilidade do MAI, estamos dispostos a colaboração“, acrescentou.
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O governo tem ideias. E atira-se para a frente!
Vejo dois problemas:
- os imigrantes têm vontade própria, não são propriedade do governo; podem não querer mudar de trabalho.
- turismo e agricultura têm tudo a ver; o governo que tanto apregoa as necessidades de formação e de mão de obra qualificada, aqui manda todas as suas convicções às malvas.
Está bem, são tempos excecionais. Esta Secretária de Estado também o é.