José Sena Goulão / Lusa
O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) está a oferecer, no seu site, um emprego para um cargo de director com um salário de 550 euros por mês. A situação está a gerar polémica e queixas.
O caso, denunciado pelo Correio da Manhã, envolve uma oferta de emprego no site do IEFP para um “director dos serviços de apoio social” numa empresa na área do apoio domiciliário, em Lisboa.
No anúncio salienta-se que o cargo exige experiência mínima de 12 meses e Licenciatura, notando-se que o salário bruto oferecido é de 550 euros por mês – pouco mais do que o valor do ordenado mínimo.
Reforça-se ainda que este director deverá desempenhar funções de “coordenação/assistência às equipas técnicas de apoio domiciliário, acompanhamento da parte administrativa dos processos dos utentes/familiares” e que deverá ter “bons conhecimentos na área de geriatria”.
iefp.pt
A situação está a causar revolta entre os assistentes sociais, já que o ordenado referido é metade do que ganha um profissional com esta formação em início de carreira, segundo sublinha o CM.
Contactado pelo jornal, o IEFP alega que o valor é “legítimo” porque não existe “nenhuma tabela” que regule os ordenados neste sector de actividade.
A Associação de Profissionais de Serviço Social reclama que o salário está abaixo dos valores convencionados com as Instituições Particulares de Solidariedade Social, com os Sindicatos e com o Estado, e por isso, já apresentou queixa no Centro de Emprego.
SV, ZAP
Não é caso unico.
Se forem ao site do IEFP vão encontrar muitas mais situações como esta.
Há até empresas que optam vergonhosamente por ir ao IEFP buscar profissionais ao abrigo dos incentivos à contratação, isto é, a empresa propõe salário de 650€ por exemplo mas o profissional tem que estar inscrito como desempregado. O objectivo é beneficiar dos apoios em que o IEFP paga o indexante de 419€ e a empresa paga o resto. Conclusão, ficam com um empregado por 200 e tal € mês (remuneração base).
Pergunto-me qual a lógica disto?
Se alguém cria uma empresa privada sabe que vai necessitar de empregados, ora, assim sendo, porque carga de água tem de ser o Estado a pagar a maior parte do salário do trabalhador.
É, claro está, a pura trafulhice nacional. Desde logo, boa parte destas empresas que se socorrem deste expediente são uma bela trampa. Não valem nada. Para mim, são oportunistas e não acrescentam valor ao tecido empresarial português. Empresas decentes não fazem isto. Quanto ao IEFP, também ganha com isto porque baixa os numeros do desemprego.
Enfim é o que temos. Patético!