Há contribuintes que confiaram no IRS automático e que agora estão a receber ordem de pagamento com valores muito diferentes dos habituais.

Marcolina Campos tem 90 anos e vive em Lisboa. A idosa contou à Renascença que, por indicação de terceiros, este ano não preencheu o IRS, deixando o assunto à mercê da declaração pré-preenchida pelo fisco e depois submetida às Finanças.

“Na sexta-feira recebi uma carta a dizer que estava a dever 768,33 euros, porque não tinha feito o IRS. Mas eu tenho uma reforma tão pequenina, fiquei desolada… Como é que vou pagar isto?”, questiona.

A contribuinte garante que recebe pensão própria na ordem dos 360/370 euros e uma pensão de viuvez na ordem dos 200 euros.

Marcolina Campos, que faz 91 anos em setembro, não sabe ler nem escrever, por isso tem tido sempre quem lhe faça o IRS. “Nunca paguei nada, nem nunca recebi, nunca tive problema nenhum. Se me tivessem dito que tinha de fazer eu tinha feito”, tal como nos outros anos.

Impedida de sair de casa há seis meses, por não conseguir descer nem subir escadas, Marcolina tem algum apoio da Junta de Freguesia da Estrela, mas são os vizinhos que lhe fazem as compras.

“Tenho que pedir a alguém que as faça, porque eu não consigo. Hoje peço a uma senhora, amanhã a um cavalheiro, outras vezes chamo o miúdo da rua para me ir comprar qualquer coisa”, explica.

No entanto, não tem tido o hábito de pedir fatura com o seu número de contribuinte. “Tínhamos aquela ideia que não era preciso“. Agora vai tratar disso: “já tenho ali um papelinho para levarem quando me forem fazer compras”.

Segundo a Renascença, o Ministério das Finanças garante estar atento à situação e a acompanhar os casos que surjam.

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