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O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, acusou a União Europeia de condenar a Hungria por não querer ser um país de migrantes, rejeitando abdicar da defesa das fronteiras do seu país.

“Não cederemos à chantagem das forças que apoiam os migrantes contra a Hungria. A Hungria protegerá as suas fronteiras, parará a imigração ilegal e defenderá os seus direitos”, disse o líder húngaro em sessão plenária com os eurodeputados em Estrasburgo.

Nesta quarta-feira, o Parlamento Europeu vai decidir se ativa ou não o procedimento previsto no artigo 7º do Tratado da União Europeia, relativo à existência de um risco manifesto de violação grave dos valores europeus.

No documento elaborado por Judith Sargentini constam várias “preocupações” sobre  sobre “o funcionamento do sistema constitucional e eleitoral”, “a independência do judiciário” e várias liberdades individuais, bem como os direitos dos refugiados. Para a União Europeia, está em causa a violação de graves direitos europeus na Hungria.

O primeiro-ministro húngaro evitou abordar todos os pontos do documento, optando antes por um discurso de soberania. “O relatório que vocês têm fere a Hungria, fere o povo húngaro, fere a sua honra“, disse Orbán.

Para o líder da Hungria, o seu país vai ser condenado porque “os húngaros decidiram que não vão ser um país de migrantes”.

Orbán, que tem mantido uma linha dura quanto à receção de refugiados, acusou “as forças que apoiam os migrantes” de “chantagearem” o seu país, defendendo os valores cristãos da Hungria. “Construímos cercas, prendemos centenas de milhares de imigrantes ilegais, mas protegemos a Hungria e a Europa”, reiterou no Parlamento Europeu.

“Não vão condenar um Governo mas sim um país que faz parte da História dos países cristãos europeus há séculos”, declarou Orbán, assumindo reiterada a sua posição clássica de defensor da civilização cristã – face aos imigrantes muçulmanos.

“A Hungria vai ser punida por ter decidido que não vai ser um país de migrantes. Mas não deixarei de proteger a fronteira e de defender o povo húngaro. Todos os países têm o direito de organizar a vida no seu território”, acrescentou.

Num discurso inflamado, o primeiro-ministro húngaro anteviu que “a maioria [dos eurodeputados]” vai aprovar o relatório da comissão parlamentar das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do PE, que considera que existe um risco manifesto de violação grave, pela Hungria, dos valores europeus.

A Hungria pode assim seguir os passos da Polónia, país onde a Comissão Europeia ativou o procedimento do artigo 7.º em dezembro, por encontrar preocupações quanto à violação de direitos. A longo prazo, esta ação pode implicar a suspensão do direito de voto do país na União Europeia.

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