A falta de médicos anestesistas levou os hospitais de Faro e Portimão a contratar especialistas vindos do país vizinho. Estão a pagar 50 euros por hora a sete anestesistas.

O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) está a contratar serviços a uma empresa espanhola que fornece médicos anestesistas para os hospitais de Faro e de Portimão. O CHUA começou a recrutá-los há cerca de um ano e, desde então, já contratou sete profissionais espanhóis.

O centro hospitalar vê-se obrigado a fazê-lo devido à falta de anestesistas nestes hospitais. Os concursos abertos pelo Serviço Nacional de Saúde nos últimos anos ficaram com vagas por preencher. Os médicos espanhóis estão a receber 50 euros por hora nestes hospitais algarvios. Um profissional do SNS no topo de carreira ganha apenas 23 euros por hora.

O Diário de Notícias falou com os sindicatos dos médicos, que temem que isto seja um “cavalo de Troia” e que a Quirónsalud, a empresa espanhola, coloque mais profissionais em Portugal. A empresa andaluza já tem inclusive um centro clínico de reprodução medicamente assistida em Lisboa.

“O Centro Hospitalar Universitário do Algarve recorre à figura da contratação de prestadores de serviços quando não é possível contratar diretamente para os seus quadros. Neste caso concreto, trata-se de contratação de especialistas em anestesiologia para fazer face às necessidades do CHUA”, disse o hospital.

O centro hospitalar disse ainda que o “processo foi dado a conhecer à Ordem dos Médicos”, situação que o organismo garante não ser verdade. “A Ordem dos Médicos não recebeu nenhuma informação particular sobre a empresa em causa”, reiteraram. Contudo, reconhecem que o recrutamento de médicos espanhóis no Algarve, em geral, tem sido mais recorrente.

“O recurso excessivo a médicos tarefeiros, sobretudo através de empresas médicas, é uma prática que está em crescimento“, reconheceu Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.

A falta de médicos no Algarve não se limita só aos anestesistas. Na neonatalogia e na pediatria, a situação também está longe de ser favorável. Ainda no verão, o serviço de urgência chegou a encerrar rotativamente por falta de médicos especialistas.

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