O Presidente francês, François Hollande, condenou esta quinta-feira como “moralmente inaceitável” o emprego do ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso no banco Goldman Sachs.

O banco norte-americano Goldman Sachs anunciou na semana passada a contratação de Durão Barroso como presidente não-executivo da instituição e de consultor, num momento em que o setor financeiro foi abalado pelas dúvidas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

François Hollande, que visita Portugal na próxima semana, falava numa entrevista no âmbito das comemorações do dia nacional de França.

“É uma questão moral e ética, ligada a uma pessoa. Não fui eu que escolhi Barroso para presidente da Comissão da União Europeia. Ele esteve dez anos à cabeça da Comissão”, referiu Hollande.

O chefe de Estado francês apontou que “a Goldman Sachs esteve no centro da crise dos subprimes e ajudou o Governo grego a ‘maquilhar’ as contas do Grécia. Moralmente é inaceitável”.

Hollande afirma que “é uma questão que não tem que ver com a Europa, tem que ver com a moral. O senhor Barroso foi presidente da Comissão Europeia no momento em que teve lugar a crise provoca pelos subprimes, na qual a Goldman Sachs foi um dos principais implicados – banco que reencontrámos mais tarde no caso grego, dado que era o banco que aconselhava os gregos e que maquilhava as contas que a Grécia transmitia à União Europeia”.

“Agora ficamos a saber, alguns anos mais tarde, que o senhor Barroso vai entrar no Goldman Sachs. Juridicamente é possível, mas moralmente é inaceitável“, considerou François Hollande.

França ao ataque

Antes de Hollande, também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, defendeu que Barroso tem que renunciar ao emprego ou irá reforçar “o populismo” e o ceticismo em relação à Europa.

“Deve renunciar, é uma questão de ética, de moral”, declarou numa entrevista à Europe 1, acrescentando que a contratação é “totalmente chocante e melhor seria que Barroso fizesse outra coisa”.

Na quarta-feira, o secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês, Harlem Désir, considerou que sua contratação é “particularmente escandalosa tendo em conta o papel desempenhado pelo banco durante a crise financeira de 2008, mas também o papel na camuflagem das contas públicas da Grécia”.

O governante afirmou no parlamento que o ex-primeiro-ministro português “fez a cama dos antieuropeus“, e pediu solenemente a José Manuel Durão Barroso para não aceitar o emprego no banco.

Também o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, considerou que o ex-primeiro-ministro português devia ter feito uma reflexão “política, ética e pessoal” quando foi contratado pelo Goldman Sachs.

Quando um político passa para o setor privado deve “pensar na imagem que projeta”, acrescentou Pierre Moscovici, sublinhando que quando terminar o mandato que ocupa atualmente como comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros da União Europeia não vai para a Goldman Sachs.

Barroso disse que a sua nomeação tinha como objetivo ajudar o Goldman Sachs a mitigar as consequências do brexit e a preparar-se para saída da UE.

Provedor de Justiça Europeu pediu na terça-feira que as regras em relação ao período de nojo dos ex-comissários sejam apertadas.

ZAP / Lusa