André Kosters / Lusa
O deputado do Partido Socialista (PS), João Galamba
Esta segunda-feira, João Galamba, secretário de Estado da Energia, e Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD, envolveram-se numa discussão acesa na rede social Twitter por causa de uma publicação do social-democrata sobre o plano nacional para o hidrogénio.
A discussão surge dias depois de a resolução do Conselho de Ministros que aprova o Plano Nacional do Hidrogénio ter sido publicada em Diário da República e o Presidente da República ter promulgado o decreto-lei que estabelece a organização e o funcionamento do sistema nacional de gás.
Na rede social Twitter, o vice-presidente do PSD, Salvador Malheiro, escreveu que o comprometimento em força com a nova tecnologia pode ter custos para os contribuintes a favor de lobbies.
João Galamba, secretário de Estado da Energia, respondeu-lhe poucos minutos depois, escrevendo que concluía que o social-democrata não teria lido a estratégia. “Parece que passou a haver um desporto nacional chamado opinar sem ler”, lê-se no tweet de Galamba.
Estava aberta a discussão em plena rede social. Malheiro respondeu ao socialista, dizendo que “conclui muito mal”. “E em termos de entendimento da matéria o que nos separa é uma dimensão aproximadamente igual ao inverso da constante de Stefan-Boltzmann [uma lei da física de final do século XIX]. E não parta outra vez para o insulto (como já fez com outros). Fica-lhe mesmo mal enquanto governante da nação“, respondeu Salvador Malheiro.
João Galamba insistiu ainda, dizendo que as dúvidas de Malheiro estão respondidas na estratégia do hidrogénio e nos decretos-leis associados. “É mesmo um dos pilares da estratégia não haver qualquer custo para os consumidores de energia“, escreveu o secretário de Estado da Energia.
“Garante-se que os consumidores/contribuintes nada pagarão no futuro? Não. Está-se a fazer um frete a alguém? Demonstre que não”, continuou o vice-presidente do PSD, acrescentando que as redes não estão preparadas e que a tecnologia prevista não é mais eficiente.
Já João Galamba defendeu “Portugal tem das redes de gás (sobretudo distribuição) mais bem preparadas de toda a Europa”, com um nível de preparação substancialmente mais alto do que as dos Países Baixos. “Sobre a garantia de que os consumidores não pagam o regime de apoio a produção e que não terão qualquer custo acrescido, isso é um dos pilares da estratégia e está dito como será feito
“, escreveu.“Sobre fazer um frete a alguém, e apesar da insinuação gratuita, a ENH2 [estratégia nacional para o hidrogénio] está totalmente alinhada com a estratégia, objetivos e mecanismos de financiamento europeus. Se tem alguma dúvida, é perguntar. Se só tem insinuações e quer inverter o ónus da prova, lamento mas não tenho muito para lhe dizer”, rematou o governante.
“OK! Infelizmente não respondeu a nada em concreto. Espero pelo menos que tenha curiosidade em saber o que é a constante de Stefan-Boltzmann”, terminou Malheiro.
No final de julho, Galamba acusou o professor universitário Clemente Pedro Nunes, que considera que os contribuintes vão ser “roubados”, de ser “um aldrabão encartado”.
Recentemente, os fundadores da Tertúlia Energia também defenderam que o plano do hidrogénio do Governo tem várias lacunas e vai custar “muito caro” aos consumidores portugueses.
O Governo aprovou em Conselho de Ministros a ENH, prevendo um investimento privado entre os sete mil milhões e os nove mil milhões de euros até 2030. A produção de hidrogénio deverá levar a uma “redução das importações de gás natural entre os 380 e os 740 milhões de euros“, segundo dados do Ministério do Ambiente.
O Governo prevê ainda que a sua estratégia leve à criação de entre 8.500 a 12 mil novos postos de trabalho directos e indirectos.
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Esse tal de Galamba devia ir para as feiras dizer que está tudo á venda por 5 euros, tem ares de feirante.