Manuel de Almeida/ Lusa

Henrique Neto, empresário e militante histórico do PS

O antigo deputado, dirigente socialista e candidato à presidência Henrique Neto vai abandonar o Partido Socialista, em desacordo com António Costa, que considera “um bom executante da política à portuguesa e um erro de casting como estadista e primeiro-ministro”.

A saída de Henrique Neto do Partido Socialista, que já em maio dizia ao jornal i que “todos os dias pensava em sair do PS”, é agora anunciada num artigo de opinião publicado na edição deste sábado do jornal Expresso.

“É para mim óbvio que só me resta a decisão de me demitir de militante do Partido Socialista”, escreve Henrique Neto, após apresentar críticas à actuação do actual primeiro-ministro, António Costa.

O antigo candidato à Presidência da República, ex-militante do PCP, empresário da indústria de moldes oriundo de uma família operária da Marinha Grande, começa o texto com críticas à actuação política no caso dos incêndios que, há mais de um mês, causaram a morte a 64 pessoas.

A responsabilidade pela morte de 64 pessoas inocentes, famílias inteiras, não pode continuar a ser uma questão alienada pela propaganda política. Pessoalmente, tenho de afirmar o que me parece óbvio: Costa tem a maior carga de responsabilidade, pelo que fez e pelo que não fez”, lê-se no texto de Henrique Neto.

“Costa colocou a sua cultura propagandística à frente do seu papel de primeiro-ministro”, diz ainda Henrique Neto, referindo-se ao caso do roubo de material de guerra nos Paióis Nacionais de Tancos.

Para Henrique Neto, a “recusa em esclarecer os portugueses” tem sido uma “forte característica” do actual Governo, com implicações em casos como o Banif, Montepio, Novo Banco ou Caixa Geral de Depósitos.

“António Costa é um bom executante da política à portuguesa e um erro de casting como estadista e primeiro-ministro”, escreve ainda o candidato à Presidência da República em 2016.

Henrique Neto, empresário de 81 anos, aderiu ao PS em 1993, convidado pelo então secretário-geral Jorge Sampaio.

Antes, tinha sido militante do PCP, entre 1968 e 1975, tinha participado na campanha de Humberto Delgado em 1958 e foi, em 1969, candidato às eleições legislativas da Oposição Democrática pelo distrito de Leiria.

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