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Foram quatro horas de exame, com 150 perguntas, na temida Prova Nacional de Acesso para a Formação Especializada em Medicina e muitos dos jovens médicos não conseguiram concluí-la. Os que temem não conseguir aceder à formação especializada já pensam em emigrar.

Numa altura em que se anunciou que a ministra da Saúde equaciona obrigar os jovens médicos a permanecerem no Serviço Nacional de Saúde (SNS) após fazerem as suas especializações, 2394 estudantes de medicina realizaram a difícil e decisiva Prova Nacional de Acesso para a Formação Especializada.

Estes candidatos concorrem a 1830 vagas, de acorde com dados da Administração Central do Sistema de Saúde divulgados pelo Diário de Notícias (DN). O número de vagas aumentou, relativamente a outros anos, mas ainda assim muitos jovens médicos vão ficar de fora. Terão que repetir o exame para tentar aceder à especialização desejada ou ficar a trabalhar como médicos tarefeiros de medicina geral.

Face a um possível desfecho menos positivo, depois de um exame de quatro horas, com 150 perguntas, há quem já pense em rumar ao estrangeiro, para continuar a formação em medicina.

É este o caso de Inês Silva que entrou na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto com uma média de 19,3 valores e que diz ao Público

que a Prova foi “muito extensa” e “difícil”.

“Não sei qual será o meu futuro. Não sei se ficarei cá. Depois desta prova ainda pondero mais a hipótese de emigrar”, constata Inês Silva no jornal.

O exame decorreu, neste ano, com um novo modelo que substituiu o velho “Harrison”, o teste que obrigava a um grande trabalho de memorização e que durava duas horas. A nova prova durou quatro horas, com um intervalo de uma hora, e assenta mais na capacidade de análise e de resolução de casos clínicos.

Implica melhores conhecimentos médicos, desse ponto de vista é um upgrade, mas o tempo [para a sua resolução] não é suficiente para responder”, considera no Público Inês Silva.

Muitos não conseguiram, sequer, completar a prova“, nota no mesmo jornal Pedro Veloso, estudante de Medicina da Universidade do Minho.

Estudantes querem medidas para evitar saídas do SNS

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) alerta que, todos os anos, aumenta o número de jovens médicos que não conseguem aceder à especialidade que pretendem, ficando, assim, obrigados a trabalharem como indiferenciados.

Aproveitando a realização da Prova, a ANEM recolheu assinaturas no Porto, em Coimbra e em Lisboa, para entregar à ministra da Saúde uma carta, onde pretende vincar que há “falta de planeamento de recursos humanos” neste sector.

“A ANEM considera urgente um planeamento dos recursos humanos em saúde, na medida em que todos os dias somos notificados sobre a falta de médicos no SNS, tanto de jovens como de mais seniores”, aponta o presidente da Associação, Vasco Mendes, em declarações ao DN.

“Nesse sentido, reivindicamos a criação de um Observatório para o planeamento dos recursos humanos, que não inclua apenas o ministério da Saúde, mas também o ministério do Ensino Superior (por causa da formação pré-graduada), a Ordem dos Médicos, reitores, directores de escolas médicas e os próprios estudantes”, sustenta Vasco Mendes.

Entre as medidas que esse Observatório deve promover, o presidente da ANEM destaca a necessidade de definir estratégias para evitar a saída dos profissionais do SNS.

No fim-de-semana, foi notícia que o Ministério da Saúde equaciona resolver o problema obrigando os jovens médicos a ficarem no SNS, após as suas especializações. Uma hipótese que recebeu muitas críticas do Bastonário dos Médicos.

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