O Happy Meal, produto do McDonald’s dirigido às crianças que inclui a oferta de um brinquedo, tem até agora disponíveis dois tipos de ofertas: “de rapariga” e “de rapaz”. Mas em breve vão deixar de ser chamados assim.

Confrontada pelo Diário de Notícias com a prática de discriminação por género – que a McDonald’s EUA aboliu em 2014 -, a McDonald’s Portugal reconheceu que não obedece às novas normas da empresa a nível global e assumiu que vai alterar o procedimento, alterando as instruções dadas aos empregados e os placards eletrónicos.

Em causa estão as refeições para crianças identificadas como “Happy Meal rapariga” e “Happy Meal rapaz”, incluindo nos quiosques que permitem escolher e pagar a refeição.

Por vezes só existe um tipo de brinquedo, considerado “unissexo”, mas geralmente a cadeia de fast food tem dois tipos disponíveis, rotulados como “de rapariga” e “de rapaz”. Por exemplo, as caixas das Happy Meals que foram comercializadas até 18 de fevereiro tinham as opções de brinquedos My Little Pony (rotulados como sendo para raparigas) e Transformers (para rapazes).

Ao balcão, se não houver pedido em contrário, os empregados entregam as refeições infantis com o brinquedo de acordo com o sexo das crianças.

“De acordo com a nossa política global, as equipas serão instruídas para descrever os brinquedos pelas suas qualidades e não oferecer certos brinquedos a rapazes e outros a raparigas. (…) Por exemplo, nos EUA, têm instruções para falar do nome dos brinquedos sem qualquer referência a género. Esta diretiva está no manual de treino que são supostos seguir”, afirma um comunicado enviado pela McDonald’s Europa ao DN.

“Ouvimos os nossos clientes e há alguns anos agimos no sentido de que os nossos empregados mudassem a forma como se referiam aos brinquedos das Happy Meals”, diz o texto enviado pela sede europeia da corporação, no Reino Unido.

A empresa, no entanto, tentou restringir o problema a Portugal e à tradução portuguesa, mas “tendo analisado a situação, reconhecemos que esta situação pode ser mal interpretada e no futuro usaremos outra forma verbal de modo a certificar que não estamos involuntariamente a influenciar a escolha e variedade de brinquedos dos nossos jovens clientes.”

A secretária de Estado da Igualdade, Catarina Marcelino, aplaude a decisão.”Não há brinquedos de menino e de menina. A prática de dividir brinquedos por sexo é uma atitude discriminatória que reforça os estereótipos de género. Obviamente não podemos concordar com essa discriminação”, afirma a secretária de Estado.

Nesse sentido, a governante considera essencial que a Comissão para a Igualdade de Género (CIG), tutelada por si, acompanhe o processo junto da McDonald’s: “Cabe-nos sermos proativos para a mudança. Esta é uma matéria que cabe dentro da missão da CIG, que deverá contactar a McDonald’s para seguir o assunto.”

ZAP