Marcos Santos / USP

Nas questões sobre Química desta prova do 11.º ano apresenta-se um resultado de uma experiência que está errado. Iave garante que não terá impacto nos resultados dos alunos.

Foi uma professora que alertou o jornal Público na manhã de quarta-feira para o “erro científico” no enunciado do exame de Física e Química A da 2.ª fase, realizado na quinta-feira por cerca de 21 mil alunos.

O secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Química (SPQ), Adelino Galvão, disse que o erro “não devia ter acontecido”, mas, como aconteceu, “nenhum aluno será prejudicado”.

Em causa está a questão 1.2 do grupo II que tem na base o relato de uma experiência química. Só que o resultado apresentado para esta experiência está errado, confirmou também Adelino Galvão. No enunciado afirma-se que “arrefecendo uma solução contendo iões [FeSCN]2+ (aq), observa-se que a cor vermelha da solução vai ficando menos intensa”. Ora o que acontece é exatamente o contrário. Ou seja, ao arrefecer esta solução, a cor vermelha vai ficando “mais intensa”.

Questionado sobre o caso, o Instituto de Avaliação Educativa (Iave) não reconhece explicitamente a existência do erro, optando antes por indicar que a pergunta em causa “descreve o resultado hipotético de uma atividade experimental” e que, deste modo, “a única interpretação possível é a que consta nos critérios de classificação” elaborados por este organismo para serem seguidos pelos professores classificadores.

Adelino Galvão refere que a SPQ já tinha alertado o Iave para esta questão, que teve “resposta em menos de 24 horas” com a confirmação de que o erro “não terá repercussão nos resultados”.

“Os exames são feitos por humanos e, por vezes, há erros. O que me preocupa mais neste caso é que este erro se possa propagar no futuro, já que os alunos treinam para exames com base nos enunciados de provas anteriores”, refere o secretário-geral da SPQ.

Mas o exame de Física e Química não foi o único exame com falhas. Na quarta-feira, foi noticiado que o exame de de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), uma disciplina no currículo dos alunos de Línguas e Humanidades, continha um “erro grave” numa das questões feiras. O professor da Póvoa do Lanhoso que detetou o caso garantiu aquela questão, na forma como foi formulada, “não tem resposta”.

Já no exame de Português, pela primeira vez, foi pedido aos alunos que interpretassem um poema de Camões que não tinha sido lecionado nas aulas. Foi uma professora que alertou o Iave)do facto de o excerto – estâncias 26 a 29 do Canto VI – da obra Os Lusíadas, que saiu no exame nacional de Português da 2ª fase, não constar no programa.

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