Tiago Petinga / Lusa
O ex-primeiro-ministro José Sócrates
O Ministério Público decidiu arrestar “A Quinta dos Muros Altos”, uma propriedade de três hectares, em Sintra, sem saber quem é o real proprietário do espaço, mas desconfiando que pode ser José Sócrates, no âmbito de uma rede de esquemas em “offshores”.
O caso é reportado pela revista Visão, que realça que a quinta em causa, situada em Sintra, já esteve envolvida num escândalo com o ex-político Duarte Lima, suspeito do homicídio de Rosalina Ribeiro, a antiga secretária e amante do milionário Tomé Feteira.
Mas desde que há 20 anos o extinto jornal “O Independente” anunciou que a quinta faria parte do património não declarado de Duarte Lima, o que levou à demissão do então membro do PSD, o imóvel passou por várias mãos – e actualmente, ninguém assume a sua propriedade, nem sequer há quem saiba da chave do portão.
A Visão detalha as passagens de “testemunho” da propriedade, conhecida como “A Quinta dos Muros Altos”, que inclui seis terrenos e que foi registada pela Cosmatic Properties, uma offshore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas.
Em 1995, os nomes de Domingos Duarte Lima e da sua sobrinha Alda Lima de Deus surgiam como os beneficiários dessa sociedade e, logo, como donos da quinta. Mas em Setembro de 1999, a Cosmatic tornou-se propriedade de Tomás Guerra Neta e de Rosa Maria de Melo e Freire Silvestre, figuras de quem não se conhece história.
Em Outubro de 2000, a Cosmatic foi adquirida pela Airlie Holdings Limited, outra offshore registada no arquipélago de Turks e Caicos, cujo beneficiário final era José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, o primo de Sócrates.
Nessa mesma data, a sociedade passou uma procuração a favor de Paulo Guilherme, filho do construtor civil José Guilherme, cuja notoriedade advém de ter ter dado uma prenda de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado. Mas, quando ouvido no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Guilherme filho não reconheceu o documento
.Em Maio de 2007, o primo de Sócrates cedeu a Airlie a Joaquim Barroca, dono do grupo Lena e também arguido na Operação Marquês.
A Cosmatic e, logo, a afamada quinta, passavam assim, a pertencer a Barroca, que alegou aos investigadores do processo ter feito a compra através de Carlos Santos Silva, “a quem teria pago 1 milhão de euros, podendo vir a acrescer uma futura repartição dos ganhos caso fosse autorizada a construção de casas no terreno”, diz a Visão.
Esse suposto pagamento não foi detectado nas transferências bancárias analisadas, e, em 2011, a Câmara de Sintra chumbou a licença de construção para quatro moradias nos terrenos da quinta.
Em Abril de 2013, deu-se mais uma transferência de propriedade, com Joaquim Barroca a vender a sua parte na Airlie ao empresário Rui Mão de Ferro, outro dos arguidos da Operação Marquês, que declarou ao Ministério Público que foi meramente um intermediário a pedido de Santos Silva – versão que este nega.
Após essa data, a Visão nota que foi Santos Silva quem pagou as despesas de manutenção da Cosmatic e da Airlie, pelo que a tese dos investigadores da Operação Marquês é que também aqui, o empresário estaria a funcionar como “testa-de-ferro” de Sócrates.
Perante este cenário, a quinta que terá um valor comercial entre os 700 mil euros e 1 milhão de euros, segundo a Visão, poderá também pertencer a Sócrates.
Esta é a teoria dos investigadores da Operação Marquês, que resolveram entretanto arrestar o imóvel, depois de não terem conseguido sequer descobrir quem tem a chave para abrir o portão ou sequer quem paga a conta da luz.
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Então não há registos da herdade? E a luz? em nome de quem é emitida a factura? Deixem-se de enrolar o povo não somos parolos como nos querem fazer.