Rui Rio, presidente do PSD, assume que concorda com o líder do Chega quanto à necessidade de acabar com a “subsídio-dependência” e diz que pode aceitar o apoio do partido de André Ventura no Parlamento nacional. Sobre o acordo nos Açores, diz que foi uma exigência do representante de Marcelo Rebelo de Sousa no Arquipélago.
Declarações feitas por Rui Rio em entrevista à TVI, onde Rio destacou que o Chega “é uma federação de descontentes” que “vai buscar eleitorado a todos os espectros”.
“Não é um partido cimentado”, frisou ainda, considerando que “o tempo vai obrigar o Chega a ser um partido pela positiva”. “O Chega até pode desaparecer”, vaticinou mesmo, notando que “é uma forte possibilidade”.
Sobre o acordo parlamentar obtido entre os sociais-democratas e o Chega nos Açores, Rio assumiu que “do ponto de vista do interesse do PSD”, não é o ideal.
Mas foi o “ministro da República”, ou seja o representante nomeado por Marcelo Rebelo de Sousa, quem exigiu um documento escrito a garantir a estabilidade no Governo regional, revelou Rio na entrevista.
“Têm de perguntar ao dr. Pedro Catarino. Aquilo que eu sei é que ele exigiu, preto no branco, o suporte parlamentar”, salientou, atirando, assim, para a esfera de Marcelo Rebelo de Sousa parte das responsabilidades pelo acordo com o Chega.
Rio referiu que teve “conhecimento” das negociações, mas notou que não lhes deu “cobertura”. Apesar disso, realçou que concorda com os termos do acordo.
“O PSD Açores aceitou quatro reivindicações do Chega e uma dessas condições foi a redução de subsídio-dependência, um falhanço completo da governação do PS nos Açores”, salientou.
“Não tenho nenhum problema com as posições do Chega sobre esta questão da subsídio-dependência, estou de acordo”, reforçou, destacando que é preciso “criar emprego” e “fiscalizar melhor quem está com o rendimento mínimo porque há pessoas que não trabalham porque não querem“.
“Estou de acordo com o combate à corrupção, vamos fazer uma proposta de redução do número de deputados e fomentar o reforço da autonomia”, acrescentou.
Sobre a possibilidade de repetir o acordo dos Açores a nível nacional, Rio admitiu apenas aceitar o apoio do Chega a maiorias no Parlamento.
“Se fosse hoje, era impossível o PSD fazer um Governo com a participação da extrema-esquerda e da extrema-direita. Não entraria o PCP, o BE nem o Chega“, atirou o líder do PSD numa farpa ao Governo de António Costa.
Rio afirmou também que “nunca” um Governo seu “se colocará nas mãos do Chega”, em mais uma crítica velada ao Executivo socialista.
Rio sente-se mais perto de ser primeiro-ministro
Na entrevista à TVI, o líder do PSD disse acreditar que a actual legislatura não chegará ao seu termo em 2023.
Reiterando o voto contra do PSD na votação final do Orçamento do Estado para 2021, Rio notou que uma gestão em duodécimos “é um problema”, mas referiu que poderia ser preferível a um documento “piorado” por PCP e BE.
Questionado então se considera preferível um cenário de eleições antecipadas, Rio fez questão de separar os planos, mas disse duvidar da estabilidade da legislatura.
“Da maneira como estou a ver, não me parece fácil que a legislatura vá até ao fim“, afirmou, apontando divisões ao nível do apoio parlamentar e até no Governo.
E à pergunta se tal significa que se considera mais próximo de vir a ser primeiro-ministro, respondeu afirmativamente “sim”.
“Não quero chegar a primeiro-ministro de qualquer maneira. Se ao longo deste tempo for prometendo o impossível, quando chegar a primeiro-ministro já estou diminuído”, disse ainda.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Eu aconselho o Sr.Rio a ter muita calma pois eu tenho a impressão que,o PSD só alguma vez será governo com a ajuda do Chega.