André Kosters / Lusa

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que a ONU está a ficar sem dinheiro e convocou os Estados membros a pagarem o que devem o mais rápido possível.

Numa carta enviada na sexta-feira aos embaixadores dos países membros da organização, António Guterres alertou: as Nações Unidas estão perto de ficar sem dinheiro. Em causa estão “atrasos no pagamento” das contribuições devidas pelos Estados à ONU, avança o jornal Público.

A situação financeira é “problemática“, admite o secretário-geral das Nações Unidas. “Os nossos recursos financeiros nunca estiveram tão em baixo tão cedo”, disse Guterres.

De acordo com o diário, dos 193 países com assento na ONU, apenas 112 pagaram as suas contribuições atempadamente. Este número faz com que faltem 139 milhões de dólares, cerca de 119 milhões de euros, ao orçamento da organização. Enquanto que até ao fim de junho, as contribuições somaram 1,49 mil milhões de dólares, em 2017, no mesmo período, cifravam-se em 1,70 mil milhões.

Assim, segundo os dados da ONU, a dívida somada e continuada dos 81 países fixa-se atualmente em 810 milhões de dólares, cerca de 695 milhões de euros.

Na carta, António Guterres afirma que solicitou aos Estados membros “que pagassem as suas contribuições a tempo e integralmente”, frisando que, se tal não acontecer, as operações da organização e a sua própria “reputação” podem estar em risco.

Stéphane Dujarric, porta-voz de Guterres, disse numa conferência de imprensa compreender que os Estados tenham anos fiscais diferentes, mas sublinhou que a ONU não tem margem financeira, dependendo dessas contribuições.

O porta-voz adiantou ainda que o secretariado da ONU vai procurar formas de reduzir a despesa desta organização, tentando evitar ao máximo os despedimentos.

Entre os países devedores estão os Estados Unidos, responsáveis por 22% do orçamento (que pagam mais tarde devido ao seu calendário fiscal próprio), a Argentina, a Venezuela, a Síria e a Bielorrússia. As dívidas à ONU podem ser punidas com perda de direito de voto, mas, até agora, só a Líbia foi alvo desta sanção.

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