André Kosters / Lusa
O ex-primeiro-ministro e atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres
A ONU já tinha anunciado que apenas líderes com um plano de ação climático claro poderiam falar, e parece que António Guterres está decidido em seguir esta diretiva.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi louvado na quarta-feira por adotar o que os apoiantes chamam de uma “posição poderosa” para enfrentar a crise climática. Guterres vai excluir as principais economias, incluindo os Estados Unidos, de falar na próxima Cimeira de Ação Climática da ONU por não terem planos climáticos adequadamente ambiciosos e pelo seu uso contínuo do carvão.
“Isto é realmente algo incrível. Obrigado a António Guterres“, tweetou o cofundador do movimento 350.org, Bill McKibben.
Austrália, Japão, Coreia do Sul e África do Sul serão impedidos de falar pelo seu apoio ao carvão. O Brasil e a Arábia Saudita, que criticaram o acordo climático de Paris, também serão bloqueados. Os Estados Unidos, que anunciaram planos para desistir do acordo, também não terão direito a uma oportunidade para falar, de acordo com o Financial Times.
Justin Guay, diretor de estratégia climática global do Sunrise Project, com sede na Austrália, classificou a iniciativa de Guterres como potencialmente sem precedentes.
“A cimeira vai concentrar-se em ações climáticas tangíveis. Não será uma cimeira de discursos nacionais. Em vez disso, a cimeira consistirá em compromissos selecionados de coligações de países, empresas e sociedade civil, anunciando uma série de ações e compromissos verdadeiramente ambiciosos e credíveis“, escreveu a ONU no seu site, citada pela Common Dreams.
“Apenas as ações mais ousadas e revolucionárias vão subir ao palco”, disse Amina Mohammed, vice-secretária geral da ONU, na quarta-feira. “Vamos ver na segunda-feira quem vai fazê-lo”.
Mais oportunidades de emprego
António Guterres disse ainda, esta quarta-feira, que a Cimeira de Ação Climática, na próxima semana, será palco para anunciar soluções baseadas no potencial da natureza e o reforço das oportunidades de emprego digno.
O chefe da ONU disse que a Assembleia Geral, que se realiza até 30 de setembro em Nova Iorque, incluindo a Cimeira de Ação Climática no dia 23, não vai trazer todas as soluções, mas vai dar uma nova dinâmica e “impulso aprimorado” no combate às alterações climáticas.
António Guterres adiantou esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que a cimeira vai incluir anúncios de planos significativos para reduzir em 45% as emissões de dióxido de carbono durante a próxima década e para chegar à neutralidade de carbono até 2050.
O secretário-geral da ONU sublinhou também que a Cimeira de Ação Climática pretende incluir a discussão de medidas mais drásticas para combater as alterações climáticas como o fim de subsídios no uso de combustíveis fósseis e o aumento do preço a pagar pelas emissões de carbono.
Segundo Guterres, a Assembleia Geral pretende “dar uma maior dimensão a soluções baseadas no potencial da natureza, criar maneiras mais limpas para o método de trabalho nas contribuições da sociedade, consolidar resiliência, proteger as populações e promover empregos decentes para uma transição justa”.
António Guterres relembrou que é importante apoiar o Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund), para o qual “o mundo desenvolvido” deverá contribuir com fundos monetários anualmente a partir de 2020, para reforçar os compromissos com os países em desenvolvimento na adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas.
“Jovens estão absolutamente corretos”
A Cimeira de Ação Climática, na segunda-feira, é precedido pela Cimeira da Juventude sobre alterações climáticas, no fim de semana onde o debate vai ser conduzido por jovens ativistas como Greta Thunberg. “É absolutamente notável a liderança e iniciativas que a juventude mostra em todo o mundo”, comentou o secretário-geral, que acrescentou a esperança de que isso tenha impacto nas famílias e casas dos jovens, em toda a sociedade e que chegue também aos governos dos seus países.
“Tenho três netos e não quero ser responsável por viverem num planeta semi-destruído quando chegarem à minha idade”, confessou o secretário-geral da ONU. Guterres considerou que os jovens “estão absolutamente corretos em pressionar-nos para fazermos melhor e unirmo-nos através da ciência”.
Em várias ocasiões, o secretário-geral disse que o mundo está a “perder a corrida contra as alterações climáticas”, que são um “problema trágico para todas as sociedades do mundo”.
O secretário-geral da ONU também mencionou a forma como cada vez mais instituições públicas e privadas incluem o ambiente nas suas preocupações, como bancos ou agências de notação financeira que incluem os riscos climáticos nas suas análises.
Proprietários de infraestruturas e exploradores de recursos naturais, no valor de indústrias de triliões de dólares, que reduzem a utilização de combustíveis fósseis são também “sinais muito fortes dos mercados de setor privado” que podem afetar as decisões políticas no mundo, disse António Guterres.
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Muito bem um Português com tudo no sitio