A Pipoca Mais Doce / Facebook

Nilton e Pipoca Mais Doce no Multiusos de Guimarães

O Multiusos de Guimarães recebeu cerca de mil pessoas para o espectáculo com os humoristas Nilton, Hugo Sousa e Ana Garcia Martins, conhecida como a blogger Pipoca Mais Doce. As imagens publicadas nas redes sociais levaram a autarquia a suspender todos os espectáculos no concelho.

O espectáculo de comédia realizou-se neste sábado, 10 de Outubro, no Multiusos de Guimarães.

Nesse mesmo dia, Portugal registou um recorde de mais de 1600 novos casos de covid-19 em apenas 24 horas.

Perante este número, muitas pessoas ficaram indignadas quando Ana Garcia Martins publicou nas redes sociais uma imagem que mostra o que parece ser um Multiusos cheio, para assistir ao espectáculo de comédia stand-up.

Depois das críticas, a autarquia anunciou a “suspensão temporária dos espectáculos em todos os equipamentos culturais do concelho”, apesar de reconhecer que a Cooperativa Tempo Livre, organizadora do evento, “cumpriu o plano de contingência aprovado pelas autoridades de saúde”.

Numa nota no Facebook, o Multiusos de Guimarães constata que, depois de meio ano sem espectáculos, o espaço cumpriu “todas as orientações e medidas de segurança impostas pela DGS [Direcção Geral de Saúde] e pela Resolução do Conselho de Ministros”.

“Num layout de sala com capacidade para 2466 lugares, só foram ocupados 964 lugares correspondendo a 40% da lotação“, frisa o Multiusos, notando que o espectáculo decorreu com “toda a segurança para os participantes” e elogiando “o excelente comportamento do público”.

Blogger lembra que a autarquia autorizou o espectáculo

Também Ana Garcia Martins refere no Instagram que “foi um espectáculo autorizado pela DGS, pela Câmara Municipal de Guimarães e por todas as autoridades competentes”.

“Nem eu nem os meus colegas trabalhamos na clandestinidade ou actuamos de forma ilegal”, aponta ainda a blogger, reportando-se à lotação reduzida a 40% da capacidade e realçando que “todas as pessoas usaram máscara” e que “havia dispensadores de gel desinfectante no recinto”, bem como uma distância de uma cadeira entre espectadores “tal como exigido pela DGS”.

Ana Garcia Martins aproveita para criticar a decisão da autarquia de suspender todos os eventos culturais. “Encerram-se sítios onde as pessoas estão em segurança e, quem sabe, no próximo fim-de-semana estão aglomeradas nas ruas e muito mais expostas ao vírus”, aponta.

Nilton também critica a Câmara de Guimarães, considerando que “nem dava para engravidar a pessoa da cadeira do lado, tal era a distância”, conforme uma publicação no Facebook.

O humorista acrescenta que é “um disparate a Câmara ter fechado o Multiusos com base numa foto em que parece que a sala está cheia sem analisar as coisas decentemente”.

“Cumprirem-se as regras impostas e até mais que isso. Num pavilhão de 4 mil pessoas estiveram 800 e tal (por lei a organização poderia ter ido até às 2 mil)”, destaca ainda.

“Eu não fui o produtor do espectáculo, mas tenho uma produtora e estive parado 8 meses”, diz ainda Nilton, realçando que está “há 8 meses a pagar ordenados, a pagar a segurança social e todos os impostos devidos”. “Não tenho nenhum subsídio privado ou público nem tenho contrato algum com nenhum organismo estatal. Ou trabalho, ou não facturo“, aponta.

Apontando para o facto de podermos estar “cheios de malta à nossa volta nos cafés, nas esplanadas, nas touradas, nos comícios e arruadas dos partidos, nas manifestações, nos restaurantes e no Shopping”, Nilton também vinca que “segundo a DGS, 67% dos contágios que tem havido são em contexto de festa” entre “família” e “amigos”.

“Ninguém é obrigado a ir aos espectáculos”, menciona ainda Nilton, considerando, contudo, que “não podemos ficar parados indefinidamente e muito menos sermos guiados pelas opiniões das redes sociais”.

A Câmara justifica a decisão de suspender todos os espectáculos no concelho com “a situação epidemiológica que actualmente se verifica” na região, sustentando que a mesma “obriga a adopção de regras mais restritivas”.

A suspensão vai manter-se até que a Protecção Civil Municipal anuncie “as medidas a tomar”, depois de ouvir “as entidades gestoras dos equipamentos municipais que acolhem espectáculos”, conclui a autarquia.

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