Rui Farinha / Lusa

Após a reunião com o Ministério da Educação, que tinha como objetivo retomar as negociações com os professores, o líder da Fenprof afirmou que a proposta apresentada pelo Governo é “exatamente a mesma”.

Hora e meia depois do início da reunião entre os sindicatos e o Ministério da Educação, para retomar as negociações sobre a recuperação de tempo de serviço dos professores, Mário Nogueira criticou a intransigência do Governo ao apresentar “exatamente a mesma proposta” que chegou a aprovar no ano passado e que mereceu o veto de Marcelo Rebelo de Sousa.

A recuperação de dois anos e nove meses foi a proposta apresentada pelo Ministério da Educação, longe dos nove anos e quatro meses exigidos pelos professores. “A proposta apresentada hoje pelo Governo é rigorosamente a mesma.”

“Formalmente, esta reunião seria para ver calendário. Segundo o Governo, a haver uma segunda reunião, será a 4 de março. Amanhã é que vamos decidir se, face ao que nos foi dado e à forma como nos foi dado, vale a pena estar a perder tempo”, afirmou o líder da Fenprof, citado pelo Expresso.

Em declarações aos jornalistas, o sindicalista acrescentou que, face a esta posição do Governo, e caso não haja intervenção da Assembleia da República, o ano letivo pode complicar-se.

O Governo está a ser absolutamente irresponsável ao ser intransigente e ao não admitir sequer uma posição flexível. Esbarrámos num muro de intransigência”, declarou.

Este fim de semana, em declarações ao semanário, o ministro das Finanças, Mário Centeno, tinha deixado o aviso: “Não há margem nenhuma para acomodar novos aumentos de despesa”.

Agora, o caminho é incerto. Esta terça-feira, as organizações sindicais, que há mais de um ano têm negociado a recuperação do tempo de serviço com o Ministério da Educação, irão reunir-se esta terça-feira, decidir os próximos passos e anunciá-los.

Depois da reunião entre sindicatos e Governo, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, também falou aos jornalistas, atirando a data da segunda reunião. “Este foi um primeiro episódio deste processo negocial. Só depois do próximo encontro, a 4 de março, é que se pode por em cima da mesa um decreto lei.”

No entanto, também Tiago Brandão Rodrigues não poupou críticas aos sindicatos, acusando-os de serem “intransigentes e inflexíveis”. O ministro voltou a sublinhar que a proposta de recuperação de dois anos serve para atenuar o congelamento do tempo de serviço.

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