Leonardo Munoz / EPA

Juan Guaidó

O líder da oposição venezuelana foi reeleito, este domingo, presidente do Parlamento pelos deputados da oposição, numa sessão paralela organizada na sede de um jornal.

Juan Guaidó foi impedido pela polícia de entrar no edifício da Assembleia Nacional, onde os deputados aliados do Presidente, Nicolás Maduro, com alguns deputados da oposição, elegeram um novo presidente, Luís Parra, antigo elemento do partido Primeiro Justiça.

“Juro perante Deus e o povo da Venezuela que farei respeitar” a Constituição como “presidente do Parlamento e presidente interino”, declarou Guaidó depois de ter sido votado por cerca de cem deputados.

Na votação participaram muitos deputados perseguidos pela Justiça, no quadro do que a oposição qualifica de “perseguição política”. Votaram em Guaidó inclusivamente os membros do movimento 16 de Julho, opositores de Maduro, mas também habitualmente críticos de Guaidó.

Guaidó e muitos deputados da oposição não chegaram a entrar no Parlamento, onde se elegia Parra, porque ficaram horas retidos nos cordões de segurança da Polícia Nacional Bolivariana e da Guarda Nacional Bolivariana, nos arredores do Parlamento.

Depois de impedir a entrada de Guaidó na sede da Assembleia Nacional, um comandante da Polícia Nacional Bolivariana explicou que a ação se deveu a “garantir a ordem” na instituição.

 

A polícia ainda permitiu a sua passagem num primeiro controlo de segurança, mas bloqueou-o mais à frente, enquanto ia permitindo a passagem de alguns outros deputados. As autoridades justificaram o impedimento de entrada de vários deputados por não estarem “legalmente habilitados” para os seus cargos.

O Presidente da Venezuela disse aos jornalistas que o líder da oposição não participou na sessão porque não quis “dar a cara”

. Maduro disse também que já se esperava desde novembro o que aconteceu este domingo, que qualificou como “uma rebelião dos próprios deputados”, porque “o país repudia Guaidó como títere do imperialismo norte-americano”.

Quanto à forte presença de polícias na Assembleia, o Presidente disse que a mesma não passou do dispositivo de segurança habitual do dia da eleição do presidente do Parlamento. “A mesma operação de segurança que se montou a cada 5 de janeiro desde há 20 anos até aos nossos dias”, garantiu.

Guaidó acusou Maduro de “procurar todas as formas para tentar impedir a reeleição de uma junta diretiva que tem a capacidade para mudar a Venezuela” e, com o gesto de enviar a polícia para impedir a sua entrada, “a ditadura revela-se, mais uma vez”.

Com o apoio da comunidade internacional, Guaidó tem pedido a Maduro para convocar eleições nacionais “livres e transparentes”, perante a recusa do Presidente eleito, que considera ilegítima a ação do líder da Assembleia Nacional.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]