Filip Singer / EPA

Um grupo alemão de extrema-direita, em que 12 elementos foram detidos na semana passada, é suspeito de planear ataques em larga escala “assustadores e chocantes” contra muçulmanos, semelhantes aos realizados na Nova Zelândia no ano passado.

As autoridades disseram que as investigações dos 12 homens detidos na Alemanha na sexta-feira indicaram que planeavam grandes atentados em mesquitas. Os raides policiais de sexta-feira também levaram à apreensão de várias armas, incluindo machados, espadas, armas de fogo e granadas artesanais.

De acordo com a imprensa alemã, o grupo pretendia lançar ataques em massa a seis mesquitas, durante os períodos das orações. Segundo relatos da imprensa, citados pelo Diário de Notícias, o grupo planeava usar armas semiautomáticas para copiar os ataques de março passado em Christchurch, na Nova Zelândia, nos quais 51 pessoas foram mortas em duas mesquitas.

Segundo a emissora pública ARD, a polícia tinha um informador no grupo – um 13º membro. Citando fontes entre os investigadores, a ARD afirmou que o informador começou a fornecer à polícia informações detalhadas sobre o grupo em outubro, mas recentemente interrompeu o contacto. Temendo pela segurança da fonte e que um ataque pudesse ser iminente, os investigadores decidiram avançar com as detenções.

O alegado líder do grupo, conhecido das autoridades e cujas atividades estavam sob observação, pormenorizou os planos numa reunião organizada com os seus cúmplices na semana passada. Segundo o jornal alemão Bild, o líder era um homem de 53 anos, de Augsburg, nomeado pelos investigadores como Werner S.

Dos 12 homens presos na sexta-feira, acredita-se que quatro tenham fundado o grupo, enquanto outros oito prometeram apoiá-los com dinheiro e armas.

Entre os suspeitos, que são todos cidadãos alemães, está um polícia suspenso por causa de ligações à extrema-direita. O jornal Bild

alegou tê-lo identificado como Thorsten W., um entusiasta da história medieval de 50 anos cujas publicações online incluíam fotos suas com uma espada e escudo e discursos em que descreve a Alemanha como uma “ditadura radical de esquerda”.

“É chocante o que foi revelado aqui: que há células que se radicalizaram num curto espaço de tempo. Os planos que tinham são assustadores“, disse o porta-voz do Ministério do Interior, Bjoern Gruenewaelder, em Berlim.

“É tarefa do Estado e, é claro, deste governo, proteger a prática livre de religião neste país, sem referência a qual religião está em causa”, disse Steffen Seibert, porta-voz da chanceler Angela Merkel. “Qualquer pessoa que pratique a sua religião na Alemanha dentro da nossa ordem legal, deve poder fazê-lo sem ser ameaçada”, acrescentou.

Em declarações ao jornal Sueddeutsche Zeitung, o ministro do Interior alemão Horst Seehofer anunciou planos para reforçar as verificações de segurança dos funcionários públicos e acrescentou que as últimas prisões foram “um grande sucesso”, mas alertou para a necessidade de “agir decisiva e incansavelmente em todos os níveis contra o que se está a formar na Alemanha”.

A organização islâmica germano-turca Ditib, que financia cerca de 900 mesquitas na Alemanha, pediu maior proteção aos muçulmanos no país. “Não podemos ficar calados diante do ódio e da violência, nem podemos relativizar o perigo vindo da direita”, disse a organização em comunicado, acrescentando que os muçulmanos “já não se sentem seguros” na Alemanha.

As autoridades alemãs voltaram a atenção para a extrema-direita do país desde o assassinato do político local conservador Walter Luebcke em junho. Num ataque de outubro a uma sinagoga no leste de Halle, um assaltante armado com armas caseiras matou duas pessoas aleatoriamente na rua e num restaurante turco.

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