Nuno Veiga / Lusa

Manifestação de cidadãos “Pela Liberdade” recebeu marcha antirracismo em Évora com cravos vermelhos e a Grândola Vila Morena.

Com a Praça do Giraldo, em Évora, dividida por barreiras anti-motim, os participantes da concentração “Pela Liberdade” receberam os apoiantes do Chega de André Ventura ao som de “Grândola Vila Morena” e empunhando cravos vermelhos de papel.

Esta contra-manifestação de um grupo de cidadãos de Évora, sob o lema “Pela Liberdade”, começou a juntar-se na praça central da cidade alentejana desde o final da tarde, afinando as vozes com gritos e palavras de ordem até à hora da chegada da marcha de apoiantes do partido Chega.

Ventura tinha anunciado em Agosto que esta seria “a maior marcha alguma vez vista em Portugal” contra o discurso “hipócrita” do “anti-racismo” que diz ser uma forma de “esconder a corrupção”.

Mas a marcha não terá tido, afinal, a dimensão esperada e acabou por ser abafada pela presença da manifestação “Pela Liberdade”.

Mal apareceram os primeiros apoiantes do partido liderado por André Ventura, começaram os gritos de “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”.

Depois, a canção “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, que ecoou a partir da varanda da Sociedade Harmonia Eborense (SHE), tomou “conta” da Praça do Giraldo, com palmas dos manifestantes “Pela Liberdade” e assobios dos apoiantes do Chega.

Do lado do Chega, gritava-se o “racismo é distracção” e “Portugal não é racista”, entre elogios à polícia.

“Mostrar que Évora pode ser um exemplo”

Perante a presença da PSP, a formar cordões de ambos os lados da barricada, mantendo à distância de cerca de 150 metros os dois grupos, não houve incidentes, apesar das provocações mútuas.

Este “encontro” na praça terminou pouco depois das 21 horas quando os últimos apoiantes do Chega deixaram o local. Os participantes do outro lado também acabaram por desmobilizar.

“Eles [Chega] decidiram vir a Évora provocar, porque o Alentejo é uma região marcadamente de esquerda e vieram fazer um teste”, afirmou à agência Lusa Luís Guimarães, um dos elementos da concentração, de máscara na cara e de autocolante com a cara de Catarina Eufémia no casaco.

O mesmo participante disse ter aderido à iniciativa por considerar que é preciso “reagir nas ruas” e “mostrar que Évora pode ser um exemplo para as outras cidades porque o que eles [Chega] defendem é perigoso“.

Uma imagem divulgada no Twitter do Bloco de Esquerda revela o que o partido diz ser “o flop do Chega” em Évora, mostrando uma alegada presença em maior número dos manifestantes “Pela Liberdade”.

Ventura chegou com pouco distanciamento social

Com um atraso de quase meia-hora, André Ventura chegou à Praça do Giraldo escoltado por seguranças.

“Évora também é nossa”, congratulou-se o líder do Chega no seu perfil do Twitter, referindo-se a uma cidade cuja autarquia é dirigida pela Coligação Democrática Unitária (PCP e “Os Verdes”).

Uma esmagadora maioria de homens de meia idade foi gritando as palavras de ordem: “Chega, Chega! Portugal, Portugal! André, em frente, tens aqui a tua gente! André, amigo, o povo está contigo!”, sempre num ajuntamento desregrado, com pouca ou nenhuma distância social.

O “número dois” do partido, Diogo Pacheco do Amorim, esteve sempre sem máscara, assim como dezenas de outros manifestantes.

Empunhando um microfone durante todo o percurso, André Ventura foi repetindo as palavras de ordem e sublinhando o apoio do Chega aos profissionais das forças de segurança.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]