A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a registar a larga maioria dos novos casos de infectados com covid-19 do país, numa altura em que surgem notícias de ajuntamentos nas docas e de festas ilegais na praia. Nos últimos 14 dias, a Grande Lisboa contabiliza mais novas infecções do que toda a Itália no mesmo período.

Apenas Alemanha, Espanha, Suécia, França e Polónia registaram mais novos casos de covid-19 do que a região de Lisboa e Vale do Tejo nos últimos 14 dias, conforme dados recolhidos pela revista Sábado até esta sexta-feira, com base no boletim da Direcção Geral de Saúde (DGS).

Desde o início de Junho, a Área Metropolitana de Lisboa revelou “quase cinco 5 mil casos dos 5.594 infetados de todo o país”, como nota a Sábado. Com uma média de cerca de 275 novos casos por dia, a região teve mais novos casos do que países como Itália, Bélgica e Holanda, de acordo com a mesma fonte.

“Foram confirmados cerca de 8 casos por cada 100 mil habitantes nos últimos 14 dias”, enquanto o resto do país teve “apenas 0,8 casos de Covid-19 por cada 100 mil habitantes”, ainda segundo a mesma revista.

O primeiro-ministro, António Costa, tem insistido que Portugal apresenta um elevado número de novos casos porque é um dos países que mais testa.

O concelho de Lisboa já ultrapassou os 3 mil casos de infectados (3.037), o que constitui 7,9% dos 38.464 casos de infecção confirmados em todo o país.

O Porto, onde começou o foco da infecção, está sem novos casos há 14 dias consecutivos, mantendo 1.414 infecções confirmadas desde o início do mês. Apesar disso, Rui Moreira proibiu espectáculos e impôs várias restrições na noite de S. João que se celebra no próximo dia 24 de Junho.

Em Lisboa, o primeiro-ministro anunciou com “orgulho” o facto de os Estádios da Luz e de Alvalade receberem a fase final da Liga dos Campeões de futebol em Agosto, chegando a considerar que é “um prémio para os profissionais de saúde”

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A directora-geral de Saúde também admitiu que pode haver adeptos nos Estádios, notando que “quantos mais visitantes forem melhor será para o país, mas desde que sejam cumpridas as regras”.

Docas cheias e festa ilegal na praia

Entretanto, continuam a surgir notícias de ajuntamentos de pessoas em Lisboa. O Correio da Manhã (CM) reporta que, nesta sexta-feira à noite, as docas de Alcântara, em Lisboa, estavam “cheias de jovens sem máscara e a desrespeitar distanciamento social”, “entre abraços e beijos”.

Na praia de Carcavelos, em Oeiras, a PSP foi obrigada a intervir para interromper uma “festa ilegal com 200 pessoas”, também de acordo com o CM.

O jornal refere que “vários jovens juntaram-se esta sexta-feira no areal com bebidas alcoólicas” e que alguns deles eram menores.

Na semana finda, foi notícia que várias pessoas ficaram infectadas depois de uma festa ilegal em Lagos. Já foram detectados mais de 70 pessoas infectadas e o Estado está agora a pensar pedir uma indemnização aos organizadores da iniciativa.

Nesta sexta-feira, na habitual conferência de apresentação dos números da pandemia, a ministra da Saúde, Marta Temido, teve uma intervenção dura, recordando que “isto é uma maratona, não é um sprint”. “Não é possível baixar a guarda e estão redondamente enganados aqueles que pensem que podem baixar a guarda”, apontou.

Temido assumiu que está a haver alguma “dificuldade em quebrar as cadeias de transmissão”.

“Continuamos em estado de calamidade, não sabemos até quando o vamos manter. É o momento de pôr os pés na terra e pensar que não está tudo adquirido porque não está”, vincou ainda, salientando a importância da “responsabilidade dos indivíduos”.

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