Enric Fontcuberta / EPA

George Gao, diretor dos Centros de Controlo e Proteção de Doenças da China (CDC), considera que o “grande erro” da Europa no combate à pandemia de covid-19 é o facto de as pessoas não usarem máscaras de proteção individual.

O especialistas em virologia e imunologia participou em alguns dos principais estudos sobre o novo coronavírus que nasceu na cidade de Whuan, detalhando a epidemiologia da doença, tendo também publicado vários artigos sobre o assunto no The Lancet.

Recentemente, e partindo do exemplo da China, Gao aponta aquele que considera ser o “grande problema” da Europa e dos Estados Unidos no combate à doença.

“Na minha opinião, o grande erro [da Europa e dos Estados Unidos] é o facto de as pessoas não estarem a usar máscaras”, disse o especialista em declarações à revista científica Science, que há cerca de dois meses que tentava entrevistá-lo.

E sustentou: “Este vírus é transmitido por gotículas e por contacto próximo. É por isso que é necessário usar máscara, porque quando falamos, saem gotas das nossas bocas. Muitas pessoas têm infeções assintomáticas ou pré-sintomáticas. Ao usar máscara, podemos impedir que gotas carregadas de vírus escapem e infetem outras pessoas”.

A Organização Mundial de Saúde tem alertado que o uso de máscaras pode dar um falso sentimento de segurança e fazer esquecer outras medidas de prevenção contra o novo coronavírus. O porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, afirmou que “as pessoas com sintomas [da covid-19] devem usar máscaras para proteger os outros, bem como as pessoas que cuidam de doentes e estão mais expostas ao vírus”.

“O uso de máscara não garante por si só proteção se não for combinado com outras medidas. O problema é que as pessoas que usam máscara podem ter um falso sentimento de segurança e esquecer outros gestos essenciais, como lavar as mãos”, acrescentou.

Em Portugal, a Direção-Geral de Saúde, liderada por Graça Freitas, tem desaconselhado o uso de máscara, alegando que pode gerar uma “falsa sensação de segurança”.

Na Europa e nos Estados Unidos, ao contrário do que foi sendo adotado pelos países asiáticos, o uso de máscara não tem sido incentivado

ou tornado obrigatório.

Nesta segunda-feira, a Áustria entrou na pequena lista de países europeus – que inclui a República Checa e a Bósnia-Herzegovina – que farão do uso de máscaras de proteção obrigatório em locais públicos, tal como escreve o jornal espanhol ABC.

“O vírus pertence à Terra”

Na mesma entrevista, e quando questionado sobre o facto de o Presidente norte-americano, Donald Trump, se referir ao novo coronavírus como “vírus da China”, Gao relembrou que este é um problema da Terra.

“Não é bom chamar o vírus de vírus chinês. O vírus pertence à Terra. O vírus é nosso inimigo comum — não o inimigo de uma pessoa ou de um país“.

Confrontado sobre a investigação do jornal chinês South China Morning Post, que revelou dados do Governo que alegadamente mostram que o primeiro caso foi a 17 de novembro, muito antes de a doença ser conhecida publicamente, Gao diz que “não há evidências sólidas para dizer que já havia casos em novembro.

“Estamos a tentar perceber melhor a origem”, concluiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 791.000 pessoas em todo o mundo, das quais mais de 38.000 morreram. Dos casos de infeção, pelo menos 163.000 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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