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A estrutura de liderança da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) alterou-se quase por completo, desde que o Governo entrou em funções, com a substituição de sete dos oito membros. E, em cima da época de incêndios, houve também muitas mudanças na estrutura de comando operacional.

O Público apurou que, desde que entrou em funções, o Governo mudou sete dos oito membros da estrutura de topo da ANPC, entre os quais “os três principais, dois adjuntos e três comandantes de agrupamentos (CADIS)”. Só “Miguel Cruz, CADIS do Sul, se manteve da anterior estrutura”, aponta o diário.

“O coronel Joaquim Leitão, presidente da ANPC, nomeou o Comandante Nacional Operacional (CONAC), Rui Esteves, que entrou em funções em Janeiro em conjunto com o 2.º Comandante Nacional, Albino Tavares”, refere o jornal.

Mudaram também 20 dos 36 comandantes distritais (CODIS) e “a dois meses dos incêndios houve mexidas em 17 desses cargos, com a entrada de caras novas ou com a mudança de posição de alguns membros da ANPC mais experientes”, nota ainda.

Destas 17 alterações, 13 são novas nomeações, das quais nove são caras novas na estrutura. A maioria destes elementos novos têm “carreira em bombeiros” ou formação em Protecção Civil, mas há algumas escolhas que estão a receber críticas, como a da engenheira florestal Marinha Isabel Esteves que pertenceu à Assembleia Municipal de Terras de Bouro pelo PS ou de Marco Domingues, 2º CODIS de Viana do Castelo, que tem uma licenciatura em Desporto e Lazer.

O Público aponta também que as “nomeações nos CODIS em cima da época de incêndios não são raras” e que são até “uma tradição”, tendo-se também verificado com o anterior Governo de Passos Coelho.

Debate quinzenal (quase) sereno

O grande incêndio de Pedrógão Grande foi o tema central do debate quinzenal desta quarta-feira, com o primeiro-ministro e o presidente do PSD a concordarem num mecanismo para indemnizar as vítimas.

Depois de mais de uma hora de debate, em que houve mais consensos do que críticas, chegou a vez de Assunção Cristas falar e de fazer as críticas mais contundentes, acusando António Costa de “não pôr ordem em casa” e o Governo por várias entidades darem respostas diferentes sobre o que correu mal no combate aos fogos que fizeram 64 mortos e mais de 250 feridos.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, levantou a questão das falhas de comunicações do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), que poderão ter dificultado o trabalho dos bombeiros, e defendeu a sua “nacionalização”

, dado que a concessionária “falha sempre”.

Na resposta, o primeiro-ministro anunciou que o Ministério da Administração Interna lançou a compra, por ajuste directo, de antenas satélite para casos de falhas no sistema de comunicações de emergência.

“O Governo está disponível para acudir à floresta portuguesa como se fosse um banco a precisar de resgate?”, foi a pergunta em tom de crítica lançada pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Passos diz que “culpa não é do eucalipto”

Já durante um jantar-conferência, numa iniciativa da Associação para a promoção da Gastronomia e Vinhos, Produtos Regionais e Biodiversidade (AGAVI), em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, Passos Coelho afirmou que o problema dos incêndios não se vai resolver com uma reforma florestal que acabe com o eucalipto.

“Eu, que até não sou particularmente defensor do eucalipto, acho que não faz sentido estar a demonizar o eucalipto porque nós sabemos que uma grande parte do território não tem eucalipto e que o eucalipto é o que menos arde, portanto, o problema não é do eucalipto”, afirmou o presidente do PSD.

“Ele [António Costa] tem um acordo com o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), portanto, não pode ter eucaliptos porque o PEV é contra os eucaliptos e não há geringonça sem PEV, logo acabaram os eucaliptos, é simples, é disto que se trata, o resto são partes gagas”, vincou também Passos Coelho.

O líder social-democrata lembrou que o eucalipto “ainda vai dando algum rendimento” aos proprietários dos territórios que “não tem comparação” com outras espécies, pelo que o Estado Português não pode dizer a essas pessoas para investirem em coisas que dão prejuízo.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]