José Sena Goulão / Lusa

A Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem

A ministra da Justiça Francisca Van Dunem, disse que pretende retirar das cadeias os crimes “bagatelares”, permitindo assim baixar o número da população reclusa.

“Portugal tem uma taxa de encarceramento muito elevada para os padrões médios da União Europeia”, afirmou a ministra na sessão de abertura do 12.º Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, que decorre em Fátima, no concelho de Ourém.

À margem do encontro, Francisca Van Dunem admitiu que o problema português é do excesso de população prisional.

“A minha lógica não é tanto que precisamos de ir aumentando os meios. Temos de criar condições efetivas e dignas de trabalho para quem trabalha nesses espaços, mas temos de trabalhar a montante e que tem a ver com as taxas de encarceramento”, começou por explicar.

Segundo a ministra, “há crimes bagatelares, simples”, como a condução sob o efeito de álcool, ou sem habilitação legal, que “ao fim de várias reincidências acabam por dar penas de prisão”.

“A perceção que temos é que cerca de 10% do que é a população prisional pode estar relacionada com este tipo de infrações. Faz pouco sentido que se encarcere pessoas que não vivem em ambientes criminosos, que não têm carreiras criminais

, mas que por razões de natureza sociológica se comportam de determinada maneira”, disse a ministra.

“Obviamente que comentem crimes. Mas a gravidade dessas infrações não justifica que as pessoas estejam em prisão, por isso temos de encontrar alternativa”, sublinhou.

Nesse sentido, a governante anunciou que estão a ser estudadas alternativas “no quadro de uma comissão formada por professores de Direito e que envolve outros profissionais, nomeadamente a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais”.

Para a ministra, estas pessoas “podem cumprir penas alternativas“, nomeadamente em regime de permanência na habitação ou mediante vigilância eletrónica”.

“É possível criar sistemas de contenção e obrigá-las simultaneamente à prática de determinados atos. Não faz sentido que uma pessoa que não tirou a carta de condução, persista em não encontrar uma forma de tirar a carta de condução.”

Afastada está a possibilidade de amnistia já que, para a minista, “a amnistia também não resolveria o problema das pessoas que não tiraram a carta de condução e continuam a conduzir sem carta. Temos que encontrar respostas, que sejam eficazes para os problemas que temos”, rematou.

[sc name=”assina” by=”” url=”” source=”Lusa”]