Paulo Vaz Henriques / portugal.gov.pt

O primeiro-ministro António Costa

O Governo está a preparar a reestruturação das carreiras da Função Pública, que deverá passar pelo fim das progressões automáticas e pela inclusão dos trabalhadores precários nos quadros do Estado.

A notícia é avançada pelo jornal Público, que cita uma fonte governamental não identificada. O diário aponta que a revisão deverá ser negociada entre os partidos de esquerda, na preparação para o Orçamento de Estado do próximo ano.

“É preciso mais gestão de recursos humanos, com uma nova lógica

, através de prémios e promoções e não apenas uma lógica de progressões automáticas”, refere a fonte do Governo ao jornal.

O Governo deverá assim preparar novos critérios para a promoção na carreira dos funcionários públicos, descartando a progressão automática, até por razões de “impacto orçamental”.

É que, depois do congelamento das promoções na Função Pública, o desbloquear desta situação, já prometido pelo Governo, teria enormes custos para o Estado, numa lógica de progressão automática.

O ex-primeiro-ministro Passos Coelho chegou a avançar que, só as progressões relativas ao ano de 2011, custariam aos cofres públicos 300 milhões de euros.

Sindicatos pedem esclarecimentos ao Governo

A Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP) já anunciou, reagindo à notícia, que vai pedir uma audiência ao ministro das Finanças para clarificar as intenções do Governo.

Em declarações à Lusa, José Abraão, da FESAP, afirmou que já hoje 75% dos trabalhadores da Função Pública mudam de dez em dez anos, sublinhando que “há trabalhadores que há 10, 15 ou 20 anos não têm promoção e muito menos qualquer progressão na carreira”.

“Vamos solicitar uma audiência ao ministro das Finanças com o objectivo de clarificar toda esta matéria, já que temos em cima da mesa a exigência de um processo negocial que não só tenha a ver com a negociação do descongelamento e das progressões nas carreiras profissionais, mas também uma revisão de carreiras e uma revisão da tabela remuneratória única, pois há trabalhadores que poderiam trabalhar 80 e 90 anos que não chegariam ao topo da sua carreira”, afirmou ainda José Abraão.

“Há trabalhadores que entraram hoje para a Administração Pública a ganhar o salário mínimo e que ganham o mesmo relativamente àqueles que têm 15 e 20 anos de carreira”, adianta o responsável da FESAP.

O sindicalista destaca que os Sindicatos exigem assim, “negociação” das condições da revisão, alertando também o Governo de que não aceitarão “qualquer imposição”.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]