José Sena Goulão / Lusa

A deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda

O Governo contactou as deputadas bloquistas Mariana Mortágua e Beatriz Gomes Dias, bem como a parlamentar não inscrita Joacine Katar Moreira, com uma proposta de proteção policial depois das ameaças de que foram alvo.

Em declarações ao jornal Público, que avança a notícia esta sexta-feira, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, confirma que foi o “intermediário” da oferta, mas remete mais esclarecimentos para o Ministério da Administração Interna.

Mamadou Ba, dirigente da SOS Racismo que também foi alvo de ameaças através de um e-mail assinado pela “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, também pediu apoio policial nesta quarta-feira, quando foi depor à Polícia Judiciária.

Em declarações ao matutino, disse ainda não ter tido resposta.

Segundo escreve o Jornal de Notícias na sua edição impressa, as autoridades estão a ponderar avançar com medidas de proteção para as dez pessoas visadas.

Nesta quinta-feira, o Ministério Público instaurou um inquérito-crime na sequência de várias deputadas e a associação SOS Racismo terem recebido ameaças via email e depois de movimentos de extrema-direita terem feito uma vigília junto à associação.

“Confirma-se a instauração de inquérito, no âmbito do qual serão investigados todos factos que vieram a público nos últimos dias”, respondeu a PGR à agência Lusa.

Na quarta-feira Mamadou Ba foi prestar declarações na PJ e confirmou ter recebido, juntamente com mais nove pessoas uma mensagem de correio electrónico a estipular o prazo de 48 horas para abandonarem o país, sob pena de correrem risco de vida.

As deputadas do Bloco de Esquerda (BE) Beatriz Dias e Mariana Mortágua disseram no mesmo dia que iam apresentar queixa ao MP na sequência de ameaças recebidas.

Além das duas deputadas do BE, foram também visados a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine Katar Moreira e Jonathan Costa, da Frente Unitária Antifascista.

“Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e anti-racistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português”, lê-se no e-mail, a que a Lusa teve acesso.

Na mensagem eletrónica refere-se que se o prazo for ultrapassado “medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”, e que “o mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista”.

Com data de 11 de Agosto, a mensagem foi enviada a partir de um endereço criado num site de e-mails temporários e é assinada por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter realizado, de cara tapada e tochas, uma “vigília em honra das forças de segurança” em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa.

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