Os hospitais públicos vão ser obrigados a recorrer ao Instituto Português de Sangue e Transplantação (IPST) para se abastecerem de plasma e derivados do sangue.

A notícia é divulgada pelo jornal Público, que adianta que Ministério da Saúde quer regulamentar, por despacho, o negócio do plasma – que em Portugal continua a ser dominado pela multinacional Octapharma – criando alternativas para que o país deixe de estar dependente de empresas estrangeiras.

O Governo publicou esta terça-feira o despacho que define que “o Instituto Português do Sangue e da Transplantação deve apresentar um plano operacional para a utilização do plasma colhido em Portugal e que, até ao final do primeiro quadrimestre de 2017, as instituições e entidades do Serviço Nacional de Saúde passam a recorrer ao IPST para satisfazer as suas necessidades em plasma“.

O despacho determina que o IPST terá de apresentar o plano operacional no prazo de 30 dias e esta medida terá de estar em vigor até ao final de Abril do próximo ano.

O negócio do plasma ficou sob os holofotes depois de Paulo Lalanda e Castro, ex-administrador da Octapharma, se ter demitido dos cargos que ocupava naquela farmacêutica e ter sido detido na quinta-feira por alegada corrupção.

No âmbito de uma investigação do Ministério Público por suspeitas de favorecimento da multinacional, também foi detido

o ex-presidente do INEM e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, que ficou em prisão preventiva.

Foram ainda constituídos arguidos dois advogados e uma representante da Associação Portuguesa de Hemofilia.

No inquérito, estão a ser investigadas suspeitas de que Lalanda e Castro e Cunha Ribeiro, que estava ligado a procedimentos concursais públicos na área da saúde, terão acordado entre si que este último utilizaria as suas funções e influência para beneficiar indevidamente a Octapharma.

Os factos em investigação ocorreram entre 1999 e 2015 e os suspeitos terão obtido vantagens económicas que procuraram ocultar, em determinadas ocasiões, com a ajuda de terceiros.

Segundo o Público, os dados do Infarmed indicam que, só entre 2009 e setembro deste ano, a Octapharma ganhou mais de 250 milhões de euros com a venda de plasma e derivados do sangue a hospitais públicos.

ZAP