Mário Cruz / Lusa

O Governo está a ponderar decretar um novo confinamento total da população portuguesa nas duas primeiras semanas de dezembro.

A notícia foi avançada esta sexta-feira pela TVI e, entretanto, confirmada por outros órgãos de informação. O confinamento no início de dezembro aconteceria à imagem dos meses de março e abril.

“Na opinião do primeiro-ministro, se for o caso, essa medida procura antecipar ou prever aquilo que poderá ser um impacto enorme ao nível do Natal, fazendo com que as pessoas fiquem mais consciencializadas e reduzam os contactos. É preciso que se chegue ao Natal com a possibilidade de juntar a família”, disse o líder do PAN, André Silva, após se ter reunido com António Costa.

O que significa este confinamento total? Estará tudo fechado, incluindo comércio, restauração, cinemas – à exceção das escolas. O teletrabalho passa novamente a ser obrigatório, à exceção dos trabalhadores essenciais. O objetivo deste novo confinamento será “salvar” o Natal, apurou o Observador junto de várias fontes que estiveram presentes nas reuniões com o primeiro-ministro.

O facto de haver dois feriados nas duas primeiras semanas de dezembro levou o Governo a tomar medidas preventivas, já que muitos optam por fazer as chamadas “pontes”.

Este sábado, no Conselho de Ministros extraordinário, serão afinadas as medidas a tomar para a próxima quinzena. O recolher obrigatório, presumivelmente entre as 23h e as 6h da manhã, é uma das hipóteses em cima da mesa.

O ministro da Educação reafirmou hoje no parlamento a continuidade do ensino presencial, lembrando que as escolas “não são focos privilegiados” de transmissão de covid-19.

“Podemos ser confrontados com uma necessidade de podermos ter de transitar, no espaço de tempo mais curto possível e no espaço territorial menos alargado possível, a termos ensino misto ou à distância”, admitiu o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, durante o debate na especialidade da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021).

No entanto, o governante voltou a sublinhar que a primeira opção é sempre o ensino presencial: “A prioridade do Governo é manter a escola presencial”, até porque “as escolas não são focos privilegiados da doença”.

O Governo está também a ponderar alargar a outros concelhos especialmente atingidos pela pandemia de covid-19 as medidas restritivas aplicadas a Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira. A fasquia que decide os concelhos englobados é a taxa de incidência de 240 contágios por cem mil habitantes.

Na manhã desta sexta-feira, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, já tinha revelado que o Governo está a avaliar avançar com o recolher obrigatório.

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