Yoan Valat / EPA

O Presidente francês, Emmanuel Macron, garantiu este sábado “nunca aceitará a violência”, numa referência aos desacatos, à margem das manifestações, em Paris, dos ‘coletes amarelos’, que exigem mudanças nas políticas e temem que o país entre em “Guerra Civil”.

“Nada justifica que as forças da ordem sejam atacadas, que as lojas sejam saqueadas, que os transeuntes ou os jornalistas sejam ameaçados, que o Arco do Triunfo esteja contaminado”, afirmou o chefe de Estado, em Buenos Aires, no final da cimeira dos G20.

Macron garantiu que os responsáveis pela violência, ataques e vandalismo “serão responsabilizados pelos seus atos” e que no domingo se realizará uma reunião de emergência governamental. Segundo Macron, os protestos deste sábado causaram dezenas de feridos e levaram à detenção de pelo menos 224 pessoas e que “nada tem a ver com a expressão pacífica de uma raiva legítima”.

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, decidiu anular a sua viagem à Polónia para a cimeira sobre o clima COP 24, devido aos desacatos violentos.

Já o ministro francês do Interior, Christophe Castaner, denunciou uma “estratégia de profissionais da desordem, de profissionais do caso”, em declarações à TF1.O governante indicou que a situação está mais calma ao início da noite, mas que “não está completamente segura” na capital francesa.

Em declaração à BFMTV na noite de sábado, Castaner não excluiu a hipótese de declarar estado de emergência no país. “Para mim não há tabu. Nenhuma medida pode ser excluída”, afirmou quando questionado sobre essa possibilidade.

“Vamos estudar os procedimentos que nos permitam garantir a segurança”, acrescentou. “Tudo o que permita isso não é, para mim, um tabu. Estou pronto para tudo”.

À luz da lei francesa, o estado de emergência é declarado em “em casos de perigo iminente, como resultado de quebras na ordem pública ou no caso de ameaças, pela sua natureza e gravidade”, nota o Público. É uma ferramenta de último recurso e só pode ser declarada num período máximo de 12 dias – que podem ser prolongados pelo Presidente.

A medida vem reforçar os poderes do Governo e do Presidente da República, podendo, entre outras medidas, impor uma hora de recolher obrigatório, proibir o ajuntamento de pessoas, encerras espaços públicos.

Etienne Laurent / EPA

“Coletes amarelos” não desistem e denunciam “Guerra Civil”

Os confrontos entre “coletes amarelos” e a polícia começaram neste sábado cedo junto ao Arco do Triunfo, em Paris, com utilização de gás lacrimogéneo e canhões de água, mas os manifestantes dizem que, se for necessário, voltarão no próximo sábado.

“Quanto mais eles nos mandam gás, mais as pessoas ficam em cólera. Se nos deixassem manifestar nos Campos Elíseos e sem gás, as coisas não seriam assim. Hoje tenho medo que a França entre em guerra civil.”

Se for necessário, voltarei no próximo sábado”, afirmou Corinne, “colete amarelo” vinda das imediações de Paris, em declarações à Lusa, junto ao Arco do Triunfo.

Ao contrário da semana passada, neste sábado os Campos Elíseos estiveram completamente controlados pela polícia. Revistas, controlos de identidade e barreiras intransponíveis estão montadas em todas as ruas que dão à avenida. Foram encontrados martelos e outros materiais que poderiam ser utilizados contra a polícia nas malas de alguns dos manifestantes, segundo os meios de comunicação franceses.

Foram mobilizados 4.000 polícias para manterem a ordem nos Campos Elíseos.

Resta assim aos cerca de 1.500 manifestantes, que não aceitaram submeter-se ao controlo da polícia, concentrarem-se à volta do Arco do Triunfo, também apelidado de Praça da Estrela, por ser uma rotunda que reúne várias avenidas.

Com todas as ruas controladas pela polícia, os manifestantes ficaram no junto ao arco e tentam forçar as barreiras, sendo constantemente atingidos por granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água.

“Sempre que os manifestantes tentam passar, somos gaseados. Tentam conter-nos aqui. Mas eu acredito que só precisamos venham mais pessoas, sem força nunca teremos nada em França. As pessoas não vêm para passear ou para visitar o Arco do Triunfo, vêm porque estão fartas desta situação”, disse Dominique, vindo dos arredores de Paris.

Dominique afirma ser “um avô pacifista”, reconhecendo que há pessoas que se infiltram no movimento só para destruir a cidade. Fonte policial, citada pelos meios de comunicação franceses, referiu que dez polícias ficaram feridos.

As reivindicações dos coletes amarelos não mudaram, mesmo depois do Presidente se ter dirigido à nação na passada terça-feira. Carga de impostos, perda do poder de compra e desilusão geral com o Governo são as queixas mais comuns entre quem escolheu vir a Paris manifestar. Anais, Marie e Gaelle vieram da Bretanha, no sudeste da França, e dizem que já só querem a demissão de Macron.

“Estamos fartas. Já nos mentiram o suficiente. Só queremos a demissão dele, já não podemos ver. Pagamos demasiado impostos, no dia 15 do mês já não temos dinheiro para comer, não podemos ter filhos porque temos medo de não lhe dar um futuro”, disseram em uníssono Anais, Marie e Gaelle.

O movimento de “coletes amarelos” nasceu espontaneamente num sinal de protesto contra a taxação de combustíveis em França. As ações de contestação estão a causar grande embaraço ao Governo francês, tendo corrido mundo as imagens de confrontos entre manifestantes vestindo coletes amarelos e a polícia, no passado sábado, na emblemática avenida dos Campos Elíseos.

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