Mário Cruz / Lusa

Marques Mendes

“Paralisado”, “desarticulado” e “a perder gás”. Eis como Marques Mendes avalia o Governo, considerando que, desde a aprovação do Orçamento de Estado, o Executivo está “sem agenda” e que António Costa perdeu o “instinto matador”.

No seu habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes salienta que o Governo “está a perder gás desde Novembro”, ou seja, desde que foi aprovado o Orçamento do Estado.

“Tirando a questão da concertação social e da TSU [Taxa Social Única], não houve mais nenhuma medida relevante. Quem for ao Diário da República, aquilo é uma miséria. Há muitos estudos, mas decisões não há”, sublinha.

O ex-presidente do PSD entende que o Executivo manifesta “muita desarticulação” e que está “paralisado” por ter ficado “sem agenda”. “Os acordos que existiam com o Bloco de Esquerda e o PCP esgotaram com o Orçamento do Estado”, diz Marques Mendes.

“Não acho que sejam precisos novos acordos, mas é preciso uma nova agenda, porque o Governo está a fazer gestão corrente, navegação à vista”, considera o comentador político.

Marques Mendes aponta ainda “um defeito de fabrico” ao Executivo de António Costa, considerando que “falta um número 2”, “um vice-primeiro-ministro para as questões internas” e que “substitua” o primeiro-ministro quando ele está ausente.

Na perspectiva do comentador, o Governo é “unipessoal”, centrado na figura de António Costa, pelo que, quando o primeiro-ministro não está, “não há Governo”, conclui.

Analisando em particular o desempenho de Costa, Marques Mendes entende que ele “não esteve bem” nos últimos debates no Parlamento, apresentando-se “sem iniciativa, muito à defesa e sem instinto matador“.

Mas apesar deste quadro, o comentador da SIC entende que a “geringonça” não está em risco porque “PS, PCP e Bloco de Esquerda não querem crise política nenhuma, estão unidos para o bem e para o mal“.

E de resto, “quem provocar uma crise é fortemente penalizado”, considera Marques Mendes, notando que os partidos da aliança de esquerda “gostam mais de estar no poder ou próximo dele do que na oposição”. Porque, afinal, “o poder fascina”, conclui.

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