António Cotrim / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa

O primeiro-ministro, António Costa, considerou hoje “absolutamente lamentável” o que aconteceu esta semana em termos de especulação e de aproveitamento político relativamente ao número de mortos na tragédia do incêndio de Pedrógão Grande.

“Foi absolutamente lamentável o que aconteceu esta semana em termos de especulação e em termos de aproveitamento político”, disse aos jornalistas António Costa, depois de mais de uma hora e meia de reunião na Autoridade Nacional de Proteção Civil, em carnaxide, para receber informação atualizada sobre os incêndios em Portugal.

Para o primeiro-ministro, a acusação feita ao Governo de estar a esconder o número de vítimas da tragédia de Pedrógão Grande foi das “mais parvas” que já viu.

O primeiro-ministro considerou que não podia divulgar os nomes das vítimas mortais porque incorreria num crime de violação do segredo de justiça, não querendo comentar as decisões judiciais.

António Costa manifestou-se “muito satisfeito” com o facto de a divulgação por parte da Procuradoria-Geral da República da lista das pessoas que morreram no incêndio de Pedrógão ter “posto termo a esta especulação” e ter confirmado o que as autoridades sempre tinham dito.

“Alguém acha que se em vez de 64 vítimas mortais em Pedrógão, tivéssemos tido 30, o drama era menor? Tinha sido à mesma uma tragédia absolutamente horrível“, considerou o primeiro-mnistro.

Após vários pedidos da oposição, e de Costa ter remetido para o Ministério Público a eventual publicação dos nomes das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, a PGR confirmou esta terça-feira que há 64 vítimas mortais e divulgou a lista

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Em ditadura ninguém percebia bem as tragédias

Num comentário à polémica à volta do número de vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou esta terça-feira que “em ditadura ninguém percebia bem os contornos das tragédias“, para justificar a forma como o processo da tragédia de Pedrógão Grade tem sido conduzido.

Manuel de Almeida / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

“No tempo da ditadura, lembro-me há 50 anos, era possível haver grandes tragédias e nunca ninguém percebia bem quais eram os contornos das tragédias porque não havia um Ministério Público autónomo, juízes independentes e comunicação social livre. Em democracia há tudo isto“, vincou.

Segundo o Observador, Marcelo Rebelo de Sousa refere-se às as violentas cheias de 25 de novembro de 1967, que terão provocado mais de 700 vítimas sem que nunca se tenha chegado a apurar ao certo o seu número.

A partir do morto 441, a Censura proibiu os jornalistas de contabilizar as mortes, com uma frase que foi enviada para jornais e rádios a ordenar o fim da contagem, que viria a tornar-se um símbolo do regime: “A partir deste momento não morreu mais ninguém.

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