José Sena Goulão / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, com Maria do Céu Albuquerque, Tiago Brandão Rodrigues e Duarte Cordeiro

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares anunciou, esta sexta-feira, disponibilidade para um aumento extraordinário das pensões, em agosto de 2021, e do salário mínimo em linha com a média dos últimos quatro anos.

Em conferência de imprensa, no Parlamento, Duarte Cordeiro sustentou a tese de que “têm existido avanços concretos” nas negociações entre o Governo e os parceiros de esquerda sobre o Orçamento do Estado para 2021.

O secretário de Estado frisou, porém, que boa parte das matérias “ainda se encontram por densificar” com o BE, o PCP, o PEV ou o PAN, até o Governo aprovar a proposta de Orçamento em Conselho de Ministros, o que acontecerá no próximo dia 8.

O governante afirmou que o Governo aceita um novo aumento extraordinário das pensões, em agosto de 2021, e que mantém o objetivo de atingir o valor de 750 euros para o salário mínimo nacional (SMN) no final da legislatura.

“O aumento significativo do salário mínimo no próximo ano será em linha com a média registada de subida na última legislatura”, apontou.

O Governo quer um aumento do SMN e tem deixado sinais de que a subida deverá ser superior a dez euros, mas inferior a 35 euros. O BE quer um aumento entre os 35 e os 40 euros, ao passo que o PCP não abre o jogo, recorda o ECO. Atualmente, o salário mínimo nacional encontra-se nos 635 euros.

Sobre o novo apoio social que está a ser negociado, e que será destinado a quem ficou de fora dos apoios sociais definidos até agora para responder às consequências da pandemia, o governante disse que deverá abranger “mais de 100 mil beneficiários” e custará “várias centenas de milhões de euros”.

“Queria tornar absolutamente clara a disponibilidade do Governo para a criação deste apoio e para procurarmos entendimentos”, sublinhou o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, citado pelo Diário de Notícias.

Segundo o mesmo jornal, o membro do Executivo liderado por António Costa disse que há ainda disponibilidade para avançar com uma “moratória que suspenda os prazos de caducidade da contratação coletiva por 18 meses” e de “alargar a negociação coletiva aos trabalhadores em regime de outsourcing“.

Outras medidas que estão em cima da mesa das negociações passa por nova legislação para “regulamentar os direitos dos trabalhadores” em teletrabalho e uma limitação à renovação de contratos de trabalhadores temporários.

Na mesma conferência de imprensa, Duarte Cordeiro disse ainda que o Governo assumiu o compromisso de não fazer qualquer empréstimo público ao Fundo de Resolução para financiar o Novo Banco em 2021.

“Assumimos o compromisso de procurar não considerar nenhum empréstimo público do Estado ao Fundo de Resolução em 2021″, declarou o membro do Governo, frisando que o seu Executivo não pode ir mais além em relação a este ponto.

O Bloco de Esquerda, por sua vez, além de rejeitar qualquer empréstimo direto do Estado ao Fundo de Resolução para financiar o Novo Banco, também tem exigido que o próprio Fundo de Resolução, independentemente da sua fonte de financiamento, não transfira no próximo ano qualquer montante para o Novo Banco, alegando “gestão danosa”.

Perante esta questão, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares frisou que o Governo está a ir até ao limite das suas competências e alertou para os riscos sistémicos no sistema financeiro a partir de uma situação de incerteza no Novo Banco.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]