O Governo vai conceder tolerância de ponto nos serviços públicos a 12 de maio, dia em que o Papa Francisco chega a Portugal para o centenário das aparições de Fátima, disse à Lusa fonte do executivo.
A mesma fonte adiantou à agência Lusa que a tolerância de ponto será dentro em breve anunciada formalmente pelo Governo.
O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, tinha pedido que o Governo decretasse tolerância de ponto durante a visita do Papa Francisco a Portugal e o Executivo de António Costa deverá mesmo avançar nesse sentido.
“Se o Governo quiser ter um gesto de cortesia, quer para com o Papa, quer para com os peregrinos católicos que aqui vêm, fica bem, acho eu. Mas se não o fizer, os peregrinos não deixam de vir”, referiu o responsável, adiantando que “o 12 de maio calha numa sexta-feira, a grande celebração é à noite e, como em todos os 12 de maio, há gente que vem só à noite, enche o recinto para o terço e a procissão de velas”, disse na altura.
Quando o Papa Bento XVI visitou Portugal, em 2010, o Governo de José Sócrates também concedeu tolerância de ponto a todos os trabalhadores da Administração Pública no dia 13 de maio desse ano. António Costa, que era na altura presidente da Câmara de Lisboa, fez o mesmo para os funcionários da autarquia.
Críticas
O deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro considerou, através da sua página do Facebook, a decisão do Governo “um erro disparatado”.
“Não conheço as razões que serão invocadas no decreto, mas já antecipo que sejam facilmente rebatíveis: não pode fundamentar-se na viagem de um chefe de Estado estrangeiro e ainda menos na viagem de um líder confessional”, escreveu.
“De outra forma, será legítimo invocar o mesmo princípio para membros de outras religiões e, sobretudo, para quem não tem qualquer religião e vive num Estado laico, tendo também direito a tolerâncias para participar nos espetáculos que entenda”, continua.
“Necessitamos de outra maturidade democrática e esta atitude irá no sentido inverso. Não é muito comum encontrar erros no Governo que apoio e para cuja maioria trabalho diariamente no Parlamento, mas aqui está um. E especialmente disparatado“, conclui.
Em declarações à TSF, o ex-deputado do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas, considera que o Estado não deve “decretar feriados para comemorar festas religiosas, seja de que religião for, ainda por cima, quando só o faz para a religião católica em Portugal”.
O bloquista defende ainda que o Estado português é constitucionalmente laico e por isso “não deve intrometer-se” nesse sentido.
O Papa Francisco visita Fátima a 12 e 13 de maio para canonizar os dois pastorinhos Jacinta e Francisco no centenário das aparições.
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Na caça ao votos, já vale mesmo tudo. Mais uma enorme trapalhada nacional para um pais que se diz independente e laico, mas que as atitudes dos nossos governantes perante os poderes externos mostram o contrário.