As empresas vão ter que reportar às autoridades negócios efectuados com políticos e ex-políticos, conforme prevê uma proposta de Lei do Governo que visa prevenir os crimes de “colarinho branco”.

O jornal Público teve acesso a essa proposta de Lei do Governo que já foi entregue na Assembleia da República e que obriga empresas financeiras e não financeiras a vigiarem os negócios com uma “pessoa politicamente exposta” (PPE), ou seja, com políticos, ex-políticos, juízes de tribunais superiores e seus familiares mais próximos e sócios.

A medida abrange os actuais detentores de cargos públicos e aqueles que tenham desempenhado funções políticas ou públicas nos últimos 12 meses.

A proposta de Lei do Governo transpõe recomendações do Grupo de Acção Financeira Internacional e de uma directiva europeia, conforme destaca o Público, salientando que as empresas ficam obrigadas a identificar “situações de risco dos seus clientes” e a comunicarem-nas às autoridades “sempre que se depararem com operações suspeitas”.

Actualmente, as empresas já estão obrigadas a reportarem situações de risco, mas a nova proposta do Executivo alarga as regras já existentes

, abrangendo sectores que vão desde o imobiliário ao jogo, passando por agentes desportivos, negociadores de diamantes, sociedades de advogados, auditoras, consultoras, contabilistas ou notários.

“O que esta proposta de lei faz é um alargamento do âmbito destes reportes, como um alargamento do tipo de operações abrangidas e ainda em termos de valor ou das entidades envolvidas”, destaca o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, em declarações ao Público.

Assim, quando um cliente se dirigir a uma empresa abrangida pela nova proposta de Lei, será obrigado a preencher um formulário onde será inquirido sobre o seu trabalho e currículo. Com estes dados, a empresa poderá classificá-lo como PPE e logo, comunicar o caso às autoridades.

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