Wilson Dias / ABr

Os exames nacionais nas escolas vão passar a ser considerados “necessidades sociais impreteríveis”, na lei geral do trabalho, obrigando a decretar serviços mínimos em dias de greve, de acordo com uma proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros.

De acordo com a versão final da proposta de alteração da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (LGTFP), hoje enviada aos sindicatos, e aprovada na quarta-feira em Conselho de Ministros, a educação, “no que concerne à realização de avaliações finais, de exames ou provas de carácter nacional que tenham de se realizar na mesma data, em todo o território nacional”, passa a ser considerada um serviço que “se destina à satisfação de necessidades sociais impreteríveis”.

Esta alteração, que passa a incluir os exames nacionais nesta categoria, equipara as provas que se realizam na escola a serviços de segurança pública, aos correios ou aos serviços médicos, hospitalares e medicamentosos, entre outros.

Em Junho deste ano, os sindicatos da Educação convocaram uma greve geral no sector para o primeiro dia de exames nacionais, 17 de Junho , no qual se realizava o exame nacional de Português, o mais concorrido do ensino secundário.

Nesse dia, milhares de alunos ficaram impedidos de realizar o exame nacional devido à greve dos professores, tendo sido depois marcada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) uma nova data -02 de Julho – para permitir a prestação de provas a Português.

Serviços mínimos nos exames “salvaguardam interesses dos alunos”

O Ministério da Educação justificou hoje a alteração à lei geral do trabalho, que impõe serviços mínimos para greves nos períodos de exames nacionais, com a necessidade de “salvaguardar os interesses dos alunos e das suas famílias”.

“O Ministério da Educação e Ciência sublinha que é necessário salvaguardar os interesses dos alunos e das suas famílias, evitando que possa ser comprometida a conclusão atempada do ano letivo, num dos períodos mais importantes da vida escolar dos estudantes e determinante para a conclusão de ciclos de ensino, início de inscrições e prosseguimento de estudos”, defende o ministério, na nota enviada à agência Lusa.

O ministério tutelado por Nuno Crato e o Governo “consideram fundamental garantir a estabilidade das provas e exames nacionais”, sendo essa a justificação para determinar que, no setor da Educação, as provas finais são “uma das áreas nas quais devem ser assegurados serviços mínimos em dia de greve”.

 

/Lusa