Paulo Cunha / Lusa
A Autoridade Nacional de Proteção Civil encontrou discrepâncias entre o que foi reportado pelos bombeiros sobre a qualidade das refeições fornecidas e os documentos comprovativos das despesas efetuadas com as mesmas.
De acordo com o Diário de Notícias, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) terá detetado indícios de irregularidades nas despesas de alimentação dos bombeiros envolvidos em operações de combate a grandes incêndios durante o mês de agosto.
O processo de inquérito, que tinha sido ordenado pelo Ministério da Administração Interna, já levou à suspensão por 20 dias do reembolso do valor das refeições nas ocorrências em que foram verificados indícios de irregularidade, algo que terá acontecido “em grande número”.
O jornal relata que, entre outras, existe a discrepância entre o que foi registado pelos bombeiros e os documentos comprovativos das mesmas.
O Ministério da Administração Interna vai agora proceder à audição das entidades dos corpos dos bombeiros para que esclareçam as condições e contornos em que apresentaram os processos de reembolso de despesa.
O inquérito foi relativo a 17 incêndios que mobilizaram 12 associações de bombeiros.
Quanto à qualidade e quantidade das refeições, apenas foram comprovados casos pontuais, sendo que a maioria dos operacionais no terreno não se deparou com o problema.
Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, já terá decidido fazer a revisão da diretiva financeira que estipula a comparticipação de despesas resultantes de intervenções no âmbito das operações de Proteção e socorro e estados de alerta especiais.
Liga dos Bombeiros considera a situação “lamentável”
O presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, diz-se indignado com a decisão do Ministério de Eduardo Cabrita de suspender o reembolso das refeições por 20 dias.
Marta Soares diz não confiar nas inspeções da ANPC e lamenta que a decisão do executivo tenha sido tomada antes de os bombeiros serem ouvidos. Em declarações à TSF, o presidente da Liga dos Bombeiros fala numa “caça às bruxas“.
Já na altura em que o inquérito foi aberto, quando o ministério ainda era tutelado por Constança Urbano de Sousa, Jaime Marta Soares contestou a isenção da Proteção Civil para realizar o inquérito. O presidente da Liga dos Bombeiros justificou com o facto de a ANPC ser a entidade responsável pelo financiamento das refeições fornecidas aos bombeiros durante o combate aos fogos.
Segundo o que está estipulado as refeições têm os seguintes valores: sete euros por cada almoço e jantar, pequeno-almoço, lanche e dois reforços (1,80). Estes valores somados dão uma verba de 21,2 euros diários por cada operacional.
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Uma forma discreta de se encobrir a falta de verbas para cumprir com obrigações que não são consideradas "importantes".
É assim que Portugal vai vivendo... empurrando os problemas para o futuro...