Stephanie Lecocq / EPA
A nomeação do ministro das Finanças cessante para o Banco de Portugal (BdP) poderá depender dos partidos da esquerda. Direita e PAN querem acelerar o processo para que o projeto de lei seja aprovado o mais rapidamente possível.
De acordo com o semanário Expresso, o PS está a contar com os partidos de esquerda para travar a tentativa da direita de impedir a nomeação de Mário Centeno para o Banco de Portugal (BdP).
Recorde-se que, esta semana, no mesmo dia em que o até então ministro das Finanças anunciou a saída do Governo, no Parlamento foi aprovado um projeto de lei que cria um período de nojo de cinco anos para que ministros possam ser governadores do BdP.
Segundo o semanário, o PAN e a direita querem acelerar o processo para que a legislação seja aprovada o mais rapidamente possível, tendo intenções de agendar a votação da lei antes da saída do atual governador, Carlos Costa, do Banco de Portugal, a 7 de julho.
O Governo, por sua vez, considera que esta proposta tem como único objetivo travar a nomeação de Centeno e, por isso, já há um plano de defesa para usar no debate e, se necessário, até um plano legal.
Se for preciso, o PS vai pedir algumas audições, nomeadamente ao Banco Central Europeu (BCE), antes de a legislação ser aprovada, para atrasar o mais possível a eventual aprovação da lei, adianta o Expresso.
Relativamente ao eventual apoio dos partidos de esquerda, para já, o certo é que o PCP se absteve na votação em plenário do projeto de lei e o BE votou a favor. Questionada pelo jornal, a deputada bloquista, Mariana Mortágua, recusa pressas.
“Além da regra sobre ministros, o projeto de lei [do PAN] tem outras normas que são importantes e merecem discussão. Da mesma forma que não pretendemos arrastar nenhum processo, o Parlamento não pode passar por cima dos mínimos de discussão de uma lei. Deve haver bom senso
“, afirmou.Aliás, Mortágua diz mesmo que não vê incompatibilidade numa nomeação de um ex-ministro, uma vez que, para o Bloco de Esquerda, o problema sempre foi “o conflito entre banqueiros e o BdP”, embora deixe claro que o BdP “também não pode servir para remodelações governamentais conforme dá jeito”.
De acordo com o Diário de Notícias, os comunistas também têm uma palavra a dizer em todo o processo, havendo dois caminhos possíveis: o PCP pode alinhar com o PS numa maioria na comissão que decida que o processo legislativo terá de ser antecedido por audições a diversas personalidades para perceber se há, ou não, conflito de interesses.
Ou, não havendo a hipótese de fazer arrastar o processo, o PCP mudar o sentido de voto quando se passar à votação final e global e votar contra, como o PS fez na votação na generalidade.
Esta semana, numa entrevista à RTP, Centeno, que vai voltar agora à função que ocupava no BdP, admitiu que já falou sobre o assunto com o primeiro-ministro, António Costa, e, quando confrontado com a questão de uma eventual incompatibilidade por ter sido ministro das Finanças, respondeu que “ser governante não é cadastro”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” ]
Governo tudo faz para que tudo fique em familia!
Pois é com tantas censuras e querer a todo o custo o poder total.
SÓ PODE SER UMA DITADURA QUE VEM POR AI, SE NADA FOR FEITO
Já há Assembleia Familiar e de amigos e tudo o mais, o Governo se quer apoderar....