José Sena Goulão / Lusa

O ex-inspetor da Polícia Judiciária (PJ) Gonçalo Amaral

Gonçalo Amaral, o ex-inspector da Polícia Judiciária que foi afastado da investigação do caso Maddie, voltou ao local do crime para apresentar novas revelações sobre o desaparecimento da menina britânica, em 2007.

O inspector que foi o primeiro responsável pela investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann, a 3 de Maio de 2007, voltou à Praia da Luz, ao Ocean Club, no Algarve, ao apartamento onde a criança, então com três anos, terá sido vista pela última vez, no âmbito de uma reportagem da CMTV.

Gonçalo Amaral fala abertamente de várias contradições do caso e defende a teoria da morte acidental de Maddie, já avançada por uma especialista criminal que fala em “negligência e medicação” alegadamente dada pelos pais.

O inspector acredita que Kate e Gerry McCann são culpados da morte da criança e de ocultação de cadáver. Amaral defende que a menina morreu no apartamento, de forma acidental, e que depois os pais esconderam o seu corpo numa arca frigorífica.

Amaral lembra, neste sentido, que os cães da polícia britânica encontraram o odor a cadáver e a sangue dentro do apartamento e de um carro usado pelo casal.

A seguir, de acordo com a versão que o ex-inspector apresenta na CMTV, os McCann terão cremado a criança escondida no caixão de outra mulher britânica.

O ex-inspector relata “informações” de que “três figuras” foram vistas a entrar numa Igreja local, onde os McCann foram vistos a rezar, por várias vezes, “por uma porta lateral”, durante a noite.

“Eles tinham uma caixa e estava para acontecer uma cremação de uma mulher britânica. É possível que os restos da criança estivessem nessa caixa e que tenham sido cremados também”, sustenta Amaral, realçando que “os pais tinham a chave da Igreja”.

A urna da mulher britânica terá sido “encaminhada, no dia seguinte, para cremação em Ferreira do Alentejo”, explica o ex-inspector.

O antigo coordenador da PJ, que foi afastado do caso ao sexto mês de investigação, relata também as pressões políticas

de que a sua equipa foi alvo.

“Houve grande pressão política”, aponta, sublinhando que a PJ, o Ministério Público e o governo português se sentiram “intimidados” pela pressão das autoridades do Reino Unido.

A teoria de Amaral é que o facto de o casal pertencer à “classe média/alta britânica” e de “os britânicos não gostarem que os seus doutores façam porcaria no estrangeiro e que sejam condenados por isso”, tenha motivado uma suposta intervenção do próprio governo do Reino Unido na defesa dos McCann.

“Não se deita fora um quadro superior da polícia para se defender um casal que é suspeito e que continua a ser, actualmente, suspeito de qualquer coisa, no mínimo de negligência na guarda dos filhos”, constata o ex-inspector.

Amaral nota ainda que “oito crianças dormiam sozinhas nos apartamentos”, realçando que “há crime de todos os casais” e não apenas dos McCann.

Neste fim-de-semana, durante uma entrevista à BBC, no âmbito do 10.º aniversário do desaparecimento de Maddie, os McCann anunciaram que vão recorrer à justiça europeia contra Gonçalo Amaral, no âmbito da decisão do Supremo Tribunal de Justiça português que revogou a sentença que obrigava o ex-inspector a pagar 500 mil euros ao casal por causa do livro “Maddie: A verdade da mentira”.

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