Mauricio Duenas Castaneda / EPA
Juan Guaidó, o auto-proclamado Presidente interino da Venezuela, anuncia que está em marcha o plano final para a retirada forçada de Nicolás Maduro do poder. Apelando ao povo para sair à rua, o político garante que as forças armadas venezuelanas estão do seu lado.
Num vídeo publicado no Twitter, Guaidó surge ao lado de vários homens fardados e de Leopoldo López, o antigo líder da oposição a Hugo Chávez, que estava em prisão domiciliária há cinco anos e que terá sido libertado pelos militares. O auto-proclamado Presidente interino da Venezuela apela à revolta definitiva contra Maduro.
Notando que os militares cederam à “chamada” e garantindo que estão “do lado do povo”, Guaidó pede aos funcionários públicos do país e ao povo em geral para saírem à rua. “A operação liberdade começou hoje“, salienta, vincando que “o Primeiro de Maio” arranca antecipadamente na Venezuela rumo ao “fim definitivo da usurpação”.
A Rádio espanhola Cadena Ser está a adiantar que Guaidó surge nas imagens na base aérea da Carlota, nos arredores de Caracas, ao lado de Leopoldo López. O economista foi condenado a 13 anos de prisão pelo crime de incitação à violência durante as manifestações contra o regime de Maduro, em 2014.
Estava em prisão domiciliária após notícias de que tinha sido alvo de tortura. E terá sido, agora, libertado por militares que estão ao lado de Guaidó.
No Governo de Maduro, o ministro da Informação, Jorge Rodriguez, nega a ideia de um golpe de Estado, falando num pequeno grupo de “militares traidores”.
“Informamos o povo da Venezuela que, neste momento, estamos a enfrentar e a desactivar um reduzido grupo de efectivos militares traidores que se posicionaram no Distribuidor Altamira para promover um Golpe de Estado contra a Constituição e a paz da República”, refere Rodriguez.
O ministro acrescenta que ao lado dos militares está a “ultra-direita golpista e assassina que anunciou a sua agenda violenta há meses” e apela à população para manter-se “em alerta máximo” para “derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz”.
O ministro da Defesa da Venezuela, o general Vladimir Padrino López, garante que as Forças Armadas se mantêm “firmes na defesa da Constituição Nacional e das suas autoridades legítimas” e que “todas as unidades militares destacadas nas oito regiões de defesa integral reportam normalidade nos seus quartéis e bases militares“.
Também o Comandante Estratégico Operacional das Forças Armadas venezuelanas, Remigio Ceballos, já veio pelo Twitter que estas estão “unidas” e que se mantêm “leais” a Maduro. “Estamos a vencer contra um minúsculo grupo de desorientados e enganados”, aponta este responsável.
Noutro sentido, Guaidó assegura que tem do seu lado “as principais unidades militares” das Forças Armadas venezuelanas e apela ao “povo” para que saia à rua para “apoiar as forças democráticas” e para “recuperar a liberdade”. “Organizados e juntos mobilizem-se para as principais unidades militares”, desafia, instando o “povo de Caracas” a dirigir-se à base emblemática de Carlota.
Entretanto, os media internacionais reportam alguns incidentes entre as forças de segurança e manifestantes nas ruas da Venezuela. Há também imagens que mostram o arremesso de gases lacrimogéneos por parte de forças leais a Maduro contra o local onde se encontra Guaidó e López, bem como os seus apoiantes.
Os presidentes de Cuba e da Bolívia, Miguel Díaz-Canel e Evo Morales, respectivamente, já vieram condenar a tentativa de golpe de estado. Por outro lado, na Europa, começa a haver vozes de apoio a Guaidó e a este movimento de derrube do poder de Maduro.
Entretanto, o Governo de Maduro bloqueou as redes sociais e o Google na Venezuela, mas os elementos no poder continuam a usar o Twitter sem problemas.
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